Manifestação do Movimento Zero sem representação sindical. Não se apoiam “movimentos sem rosto”

Sindicatos dizem que não vão marcar presença oficial no protesto organizado pelo Movimento Zero.

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Protesto de 2019 juntou mais de 10 mil pessoas RUI GAUDÊNCIO/PÚBLICO

O Movimento Zero tem organizada uma manifestação de forças de segurança na segunda-feira junto à Assembleia da República, em Lisboa. Contactados pelo PÚBLICO, sindicatos que representam a GNR e a PSP dizem que não vão estar oficialmente representados na manifestação, por se tratar de um “movimento sem rosto”, mas admitem a presença de alguns sócios no protesto.

A concentração foi marcada pelo Movimento Zero e tem como lema “Hora de Agir - Unidos Somos a Tempestade que os Atormenta!”, pela actualização dos índices remuneratórios das tabelas salariais nas forças de segurança e atribuição a todos os polícias de um subsídio de risco. O PÚBLICO contactou o Movimento Zero, que através de e-mail adiantou que foram endereçados convites a todos os grupos parlamentares e deputados não inscritos com assento parlamentar, não adiantando se receberam qualquer resposta positiva.

Sem adiantar o total de pessoas que se esperam na manifestação, a mesma fonte disse “contar com tantos (manifestantes) quantos seja possível para que, de forma clara, consigam demonstrar e quantificar o tamanho do descontentamento que existe especialmente neste sector”. O Movimento Zero é um grupo inorgânico que surgiu nas redes sociais e agrega elementos da PSP e da GNR. Em Novembro de 2019, o mesmo movimento participou num protesto organizado pela Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) e pela Associação de Profissionais da Guarda (APG/GNR), que contou com a presença de cerca de 13 mil agentes da PSP e militares da GNR.

Mário Andrade, presidente do Sindicato dos Profissionais de Polícia, confirmou ao PÚBLICO que o “sindicato não estará presente oficialmente” na manifestação. “Não podemos dar voz a movimentos inorgânicos, mesmo quando compreendemos as reivindicações que estão a ser feitas”, disse, confirmando, ainda assim, a presença de alguns associados do sindicato no protesto, mas a título individual.

Na mesma linha segue César Nogueira, presidente da Associação Profissional da Guarda. Apesar de concordar algumas das reivindicações, o responsável diz que não “se pode dar apoio a um movimento sem rosto”. “Hoje podem estar a fazer estas reivindicações e amanhã outras”, disse, explicando “que é possível que haja associados presentes na manifestação”.

Por outro lado, através da conta no Facebook, o Sindicato Independente dos Agentes de Polícia da Polícia de Segurança Pública, que o PÚBLICO tentou contactar sem sucesso, demonstra apoio “aos associados que nela participem”.

Circulação junto à AR vai estar condicionada 

A PSP confirmou que na sequência da manifestação a circulação em várias artérias de Lisboa vai estar condicionada. Em comunicado, o comando metropolitano de Lisboa da PSP indica que o protesto está marcado para começar às 11h, em frente à Assembleia da República, o que obrigará à aplicação de algumas restrições ao tráfego rodoviário já a partir de domingo.

Na segunda-feira, a PSP adianta que, a partir das 10h30, poderá ser condicionada a circulação na Calçada da Estrela - entre a bifurcação com a Rua D. Carlos e o cruzamento com a Rua da Imprensa à Estrela, na Rua da Imprensa à Estrela, desde o cruzamento com a Calçada da Estrela até à Rua de Santo Amaro, e na Rua de São Bento, desde a Rua Nova da Piedade até à Calçada Correia Garção.