Itália perfeita, País de Gales apurado

Terceira vitória da “squadra azzurra”, que fecha a fase de grupos sem qualquer golo sofrido. Galeses passam aos “oitavos” como segundo classificado, beneficiando de uma melhor diferença de golos do que a Suíça.

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Mancini em grande estilo durante o Itália-País de Gales LUSA/Ryan Pierse / POOL

A Itália é só estilo? Tem muito, a começar pelos fatos oficiais da comitiva, desenhados por Giorgio Armani. Mas também tem substrato. E a “squadra azzurra” está a provar isso mesmo neste Euro 2020, ao terminar a fase de grupos com três vitórias em três jogos, a última das quais alcançada neste domingo, um 1-0 em Roma frente ao País de Gales. Depois de garantido um lugar nos “oitavos” e mesmo com uma selecção muito alternativa, a equipa de Roberto Mancini foi melhor durante mais tempo ante os galeses, que, apesar da derrota, também se qualificaram para os “oitavos” graças à diferença de golos – terminaram com quatro pontos, tantos quanto a Suíça, vitoriosa sobre a Turquia.

 Itália já tinha o apuramento nas mãos, mas ainda podia perder o primeiro lugar do grupo A. Mesmo assim, Mancini arriscou a invencibilidade dos “azzurri” com uma série de alterações às duas primeiras jornadas e não se deu nada mal: com a vitória estendeu para 30 a série de jogos consecutivos sem perder — a última derrota aconteceu em Setembro de 2018, num jogo da Liga das Nações contra Portugal. Igualmente impressionante é a série vitoriosa, que já vai em 11 triunfos consecutivos, não tendo sofrido qualquer golo nesses 11 jogos.

O País de Gales entrava nesta última jornada razoavelmente tranquilo, depois de ter conquistado quatro pontos nos dois primeiros jogos, mas ainda precisava da qualificação. Rob Page, o seleccionador, não poupou nos recursos, com Bale, Ramsey e James como os maiores agitadores da equipa galesa. E estavam no Olímpico de Roma para criar problemas aos italianos – criaram alguns – mas nunca conseguiram ser superiores.

A Itália dominava dentro e fora de campo. Num dos melhores momentos deste Europeu até agora, a bola vem pelo ar na direcção de Mancini, o italiano dá uns passos atrás e chega-lhe com um toque de calcanhar. Nada disto é por acaso, claro, Mancini foi um avançado muito habilidoso, um dos melhores jogadores italianos de sempre, formando uma dupla temível com Gianluca Vialli na Sampdoria.

Com todo o virtuosismo italiano frente à combatividade galesa, o único golo do jogo aconteceu numa bola parada aos 39’. Verratti marcou um livre a meia altura e Matteo Pessina, médio da Atalanta, bateu David Ward.

Os “azzurri” continuaram a ser dominadores sem esmagar e foram permitindo algumas aproximações de Gales, como uma de Ramsey aos 54’, que se conseguiu escapar aos centrais italianos, mas não conseguiu fazer nada perante Donnarumma. Na jogada anterior, tinha sido Bernardeschi a acertar no poste na conversão de um livre.

A capacidade de resposta galesa ficou seriamente comprometida aos 55, com a expulsão por vermelho directo de Ampadu – o jovem médio do Chelsea teve uma entrada violenta sobre Bernardeschi. Com menos um, o objectivo dos galeses no jogo passou a ser o de controlo de danos, sabendo que a diferença de golos iria ser decisiva nas contas do apuramento (o que viria a acontecer). Ainda assim, até ao final do jogo, a melhor oportunidade até foi de Gales, com Bale a atirar ao lado quando tinha trajectória aberta para a baliza italiana.

Quando o jogo acabou, ambas as equipas abandonaram o relvado com a sensação do dever cumprido. Gales perdeu, mas apurou-se, enquanto a Itália, que ganhou os três jogos com sete golos marcados e zero sofridos (a primeira da história dos Europeus só com vitórias e sem golos sofridos na fase de grupos, defrontando agora Áustria ou Ucrânia nos “oitavos"), cumpriu o seu objectivo de continuar a ser perfeita.

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