Hospital Santa Maria conta recuperar até ao final do ano toda a actividade suspensa por causa da pandemia

Em entrevista ao PÚBLICO/Rádio Renascença, o presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte afirma que o plano de recuperação de cirurgias e consultas está a correr dentro do esperado.

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Daniel Ferro, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte Rui Gaudêncio

Depois de um ano difícil, a recuperação da actividade que foi suspensa por causa da pandemia está correr a bom ritmo. Em entrevista ao PÚBLICO/Rádio Renascença — que pode ouvir esta quinta-feira —, Daniel Ferro, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte, formado pelos hospitais de Santa Maria e Pulido Valente, revela que na área da cirurgia conseguiram acrescentar entre 25% a 30% de actividade relativamente ao período antes da pandemia. Num olhar para o futuro, o responsável considera que a reestruturação das urgências metropolitanas “é um caminho necessário”.

O que já foi possível recuperar em termos de cirurgias e de consultas de toda a actividade assistencial que ficou adiada por causa da pandemia?
Bastante. Tínhamos um plano muito exigente no sentido de recuperar a totalidade da actividade que tinha sido suspensa e estamos a conseguir. Só nos meses de Abril e de Maio, na actividade cirúrgica acrescentámos entre 25% a 30% de actividade relativamente ao período antes da pandemia. O que significa que esse grande acréscimo se deve à necessidade de efectivamente recuperar, creio eu antes do fim do ano, tudo aquilo que efectivamente foi adiado por razões de mobilização de recursos.

Em termos absolutos, o que significa?
Em Maio acrescentámos cerca de 630 intervenções cirúrgicas. Ou seja, relativamente àquilo que é o padrão normal, e melhor dos últimos anos, acrescentámos 630 doentes. Tínhamos acrescentado 570 no mês de Abril. Cremos que este ritmo vai continuar nos próximos meses e por isso estamos confiantes que vamos conseguir este objectivo, que é recuperar tudo aquilo que de algum modo teve de ser suspenso.

No estado de emergência foi criada uma limitação de saída de recursos humanos do SNS. Nessa altura, pelo menos um grupo de 18 enfermeiros com experiência em cuidados intensivos tinha pedido a cessação de contratos com o Centro Hospitalar Lisboa Norte. Qual é o ponto da situação?
Foi um aspecto que a certa altura nos preocupou bastante e que procurámos gerir e minimizar. Tentámos que na mobilização de pessoas que precisávamos para os cuidados intensivos, depois da fase intensa da pandemia pudéssemos, face às saídas previstas, contar com elas para as mantermos nos cuidados intensivos. É o que está a acontecer. Temos hoje a trabalhar nos cuidados intensivos, em definitivo, pessoas que antes da pandemia trabalhavam em blocos operatórios, recobros ou mesmo em enfermarias. Simultaneamente procurámos ir substituindo nos locais de onde saíram. É muito diferente substituir um enfermeiro que sai de uma enfermaria, do que um enfermeiro que tem dez anos de experiência de cuidados intensivos.

Quantas saídas aconteceram deste o final do estado de emergência?
Seguramente mais de 20.

São enfermeiros de cuidados intensivos ou está a falar no geral?
Cuidados intensivos e de outras áreas. Outra forma com que gerimos esta situação foi também entusiasmar as pessoas. Que um hospital que a partir de agora tem uma unidade modelar exemplar, tecnologicamente evoluída, que oferece todas as condições para um bom percurso profissional, fizesse com que algumas das pessoas que tinham saída prevista pudessem manter-se na instituição. Isto também foi conseguido.

Quando, e se, avança mesmo a reorganização das urgências da área metropolitana?
Da nossa parte temos procurado dar resposta a essa reestruturação e achamos que esse é um caminho necessário. Esse caminho foi iniciado há alguns anos, carece provavelmente de uma actualização e também carece obviamente de ser completado. Há áreas onde essa reestruturação não chegou. Acho que fará todo o sentido olhar novamente para a rede e rever o ajustamento que ela permitir. Penso que esse trabalho está em curso.

Em que áreas em específico deve incidir?
Há áreas onde a rede hospitalar está já num ponto óptimo de utilização, com provavelmente pouca necessidade de actualização e com boa experiência. Um entre vários exemplos que podia dar, é otorrino. Mas também há áreas que não foram sujeitas a uma reapreciação, a uma definição, como por exemplo a área cardíaca, a área cardiovascular, onde efectivamente há necessidade de repensar essa rede.

Obstetrícia também justifica esse repensar?
Obstetrícia, quando muito, poderá ter que ser neste momento revista e actualizada.