Líderes dos protestos na Colômbia vão suspender bloqueios rodoviários

Decisão é justificada pelo impacto económico e social causado por esta estratégia de protesto. Mas manifestações antigovernamentais continuam, avisam dirigentes sindicais.

Foto
Há mais de um mês que a Colômbia é palco de manifestações antigovernamentais Luis Eduardo Noriega A. / EPA

Os líderes dos protestos que duram há mais de um mês na Colômbia decidiram suspender os bloqueios de estradas, perante as muitas críticas e a falta de garantias de segurança para os participantes nas manifestações. No entanto, a contestação ao Governo de Iván Duque não vai parar, prometem.

O bloqueio de estradas foi uma das estratégias mais importantes encontradas pelo comité nacional de greve, que desde 28 de Abril tem liderado os protestos antigovernamentais. Porém, o impacto sobre a economia – já bastante afectada pela pandemia – e o número crescente de críticas a este tipo de iniciativa levou os líderes sociais a decidir a sua suspensão. No mês passado, dois bebés morreram a bordo de ambulâncias que ficaram retidas durante os bloqueios, causando uma onda de indignação no país.

“Trata-se de salvar vidas em duas direcções”, afirmou o presidente da Confederação Geral do Trabalho, Percy Oyola, depois de uma reunião do comité, referindo-se igualmente às dezenas de manifestantes mortos em confrontos com as forças de segurança. Os balanços divergem, mas estima-se que pelo menos 34 pessoas tenham morrido durante os protestos, entre os quais 20 pessoas em confrontos com a polícia.

A repressão violenta das manifestações causou preocupação a nível internacional e multiplicaram-se os apelos junto do Governo conservador para que fossem criadas as condições para o exercício do direito de manifestação. Duque respondeu quase sempre com o reforço da resposta militarizada.

Mais de um mês depois, as negociações abertas entre a comissão de greve, composta essencialmente por dirigentes sindicais, deram poucos frutos. Se inicialmente as mobilizações foram convocadas por causa da intenção do Governo em fazer aprovar uma reforma fiscal muito impopular – que acabou por cair –, hoje o caderno de encargos dos manifestantes é muito mais vasto, incluindo questões tão díspares como o acesso ao ensino superior ou o cumprimento efectivo dos acordos de paz assinados com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

A suspensão dos bloqueios “não significa que a mobilização social pare na Colômbia, ela vai continuar porque as causas que a geraram mantêm-se vigentes”, afirmou o presidente da Central Unitária dos Trabalhadores, Francisco Maltés, citado pelo El País.

Uma das principais dúvidas é saber se a decisão dos líderes sindicais será seguida por outros colectivos e movimentos sociais que dinamizam alguns dos bloqueios e que mostraram algum desacordo no passado com as negociações levadas a cabo pelo comité de greve.