Confrontos entre palestinianos e a polícia israelita na marcha nacionalista em Jerusalém

Autoridades tentaram dispersar manifestantes, resultando em dezenas de feridos, mas não houve retaliação da Faixa de Gaza como se receava.

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Crescente Vermelho fala em mais de 20 feridos ATEF SAFADI/EPA
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Bandeiras de Israel junto à Porta de Damasco RONEN ZVULUN/Reuters
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Autoridades falam em 5 mil manifestantes RONEN ZVULUN/Reuters

A marcha nacionalista israelita pelas ruas de Jerusalém, que decorreu esta terça-feira, resultou em vários confrontos entre as forças de segurança de Israel e manifestantes palestinianos que se deslocaram até à Porta de Damasco para protestar contra o evento – embora a violência não tenha escalado como se receava.

Segundo o jornal Haaretz, a polícia usou canhões de água e balas de borracha para dispersar dezenas de palestinianos que quiseram juntar-se nas imediações de um dos locais da Cidade Velha por onde a “marcha das bandeiras” passou. A polícia afirma que 17 pessoas foram detidas.

O Crescente Vermelho palestiniano revela que 33 palestinianos ficaram feridos e seis foram transportados para o hospital. Os ferimentos foram causados por balas de borracha, granadas de atordoamento e agressões por parte das forças policiais israelitas e pelos militares enviados para áreas junto à Porta de Damasco.

Muitos dos cerca de 5 mil participantes na marcha – onde se incluíram deputados de extrema-direita, informa o Times of Israel – levavam bandeiras de Israel e outros símbolos judaicos e cantavam canções patrióticas e anti-árabes. 

“É inconcebível que alguém carregue uma bandeira de Israel numa mão e grite ‘morte aos árabes’ ao mesmo tempo”, lamentou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Yair Lapid, no Twitter.

“Isto é não é ser judeu nem ser israelita e não é, seguramente, aquilo que a nossa bandeira simboliza. Estas pessoas são uma desgraça para o povo de Israel”, atirou o político centrista, um dos arquitectos da nova solução de Governo.

Imagens divulgadas pela imprensa israelita mostraram ainda cartazes com mensagens nacionalistas, mas também com críticas ao novo primeiro-ministro israelita, Naftali Bennett, cujo partido, o Yamina (ultranacionalista) se juntou a outros sete partidos – de esquerda, centro e direita – para derrubar o Governo de Benjamin Netanyahu, no último domingo.

“Mentiroso”, lia-se em diversos cartazes com a cara do chefe do executivo.

O percurso tradicional da marcha foi alterado por motivos de segurança para evitar a presença excessiva dos participantes nos bairros muçulmanos da Cidade Velha e nas zonas identificadas como possíveis focos de tensão. 

Cerca de 2 mil agentes foram mobilizados para o local e o Exército posicionou o sistema de defesa antimíssil israelita Iron Dome para responder a eventuais disparo de rockets, ou de outro tipo de artilharia, vindos de Gaza.

Não foram lançados rockets, mas dezenas de incêndios eclodiram em Israel provocados por balões incendiários lançados por militantes, horas antes do início da marcha. Os media israelitas avançaram que o Governo de Bennet iria pedir retaliação pelo lançamento dos balões. Após a marcha, o ministro da Defesa, Benny Grantz, dirigiu em Telavive uma reunião para avaliar as questões de segurança.

A marcha anual que comemora a anexação de Jerusalém Oriental pelos israelitas, em 1967, estava originalmente marcada para o passado dia 10 de Maio. Acabou, no entanto, por ser cancelada, devido a confrontos entre as forças israelitas e os palestinianos junto à Mesquita Al-Aqsa, que acabaram por estar na origem dos 11 dias seguidos de ataques aéreos entre Israel e a Faixa de Gaza.

O agendamento da marcha para esta terça-feira foi recebido com muitas críticas por parte das autoridades palestinianas, que denunciaram uma “provocação” e com alertas vários do Hamas, temeu-se um regresso da violência – dezenas de palestinianos também se juntaram, entretanto, na fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza, tendo sido dispersados com gás lacrimogéneo, noticia o Times of Israel.

A marcha foi o primeiro grande teste ao novo Governo israelita, composto por oito partidos de diferentes ideologias e posições religiosas, e aprovado por uma margem muito curta de deputados no Knesset (60 em 120).