China acusa NATO de difamação por “exagerar com a teoria da ameaça chinesa”

Missão da China para a UE defendeu em comunicado as políticas chinesas “de natureza defensiva” e a modernização do armamento como “justificável e transparente”.

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Jens Stoltenberg, secretário-geral da NATO OLIVIER HOSLET/POOL/EPA
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A cimeira da NATO decorreu na segunda-feira, em Bruxelas, e contou pela primeira vez com a presença de Joe Biden KEVIN LAMARQUE/Reuters

A missão chinesa para a União Europeia (UE) acusou esta terça-feira a NATO de difamação e de “exagerar com a teoria da ameaça chinesa”, depois de os líderes da Aliança Atlântica terem alertado para o risco “sistémico” que a influência do país asiático representa para a “ordem e segurança internacionais”.

Durante cimeira da relação transatlântica, que decorreu na segunda-feira e teve a estreia do actual Presidente norte-americano, Joe Biden, os líderes da aliança tomaram uma posição mais firme face ao país asiático.

A NATO reforçou a sua mensagem de unidade e entendimento, nomeadamente face ao autoritarismo e crescente poder militar da China. Na mesma linha, o secretário-geral da aliança, Jens Stoltenberg, afirmou que “todo o mundo reconheceu que a China está a aumentar as suas capacidades militares e que tem continuado a sua atitude coerciva”.

A missão chinesa para a UE respondeu numa nota ao comunicado da Aliança Atlântica, publicado no final da cimeira, referindo que o bloco de países interpretou de forma errada a situação internacional, o que sugere uma “mentalidade da Guerra Fria”.

Por isso, apelou à NATO que pare de “exagerar com a teoria da ameaça chinesa”, e ao invés, “para avaliar o desenvolvimento da China de forma racional” e “dedicar-se mais à promoção do diálogo”. “Não devem usar os nossos interesses e direitos legítimos como pretexto para manipular os blocos políticos, criar confrontos e incentivar a competição geopolítica”, lê-se na nota.

No que diz respeito ao armamento chinês, a NATO denunciou a opacidade da expansão do arsenal de Pequim, que, refere, conta com “mais ogivas e um maior número de sistemas sofisticados para estabelecer uma tríade nuclear” - mísseis balísticos intercontinentais terrestres, bombardeiros estratégicos e mísseis balísticos lançados por submarinos.

A missão ripostou que a China está empenhada em defender as suas políticas “de natureza defensiva” e que o objectivo de modernizar o Exército é “justificável, sensato e transparente”. Além disso, argumentou que o conjunto de armas nucleares da China “não alcança a magnitude de que dispõem os países da NATO”, além de o país nunca ter disparado “este tipo de armamento em nenhuma circunstância”.

“Não representaremos um ‘desafio sistémico’ para ninguém, mas não ficaremos de braços cruzados se ‘desafios sistémicos’ se aproximarem de nós”, acrescenta o comunicado.

Não só a aliança mudou o seu foco em relação ao país, mas também os líderes do G7, que se reuniram durante o fim-de-semana, mostraram uma atitude mais firme perante o Governo chinês. Em concreto, condenaram as violações dos direitos humanos na província de Xinjiang e apelaram à autonomia de Hong Kong. Pediram ainda uma investigação mais aprofundada sobre a origem do coronavírus. 

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