PSD e CDS criticam arraial da Iniciativa Liberal. PCP afasta-se da discussão

O arraial da Iniciativa Liberal gerou uma onda de críticas, incluindo dos partidos. PSD acusa IL de ser hipócrita e CDS fala em irresponsabilidade política. PCP diz que é preciso “continuar a vida”. IL responde a PSD e fala em oportunismo.

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O arraial da Iniciativa Liberal juntou centenas de participantes em Lisboa LUSA/MANUEL DE ALMEIDA

Apesar de a Câmara de Lisboa ter cancelado os festejos tradicionais dos santos populares (e de as autoridades de segurança terem estado a dispersar pessoas nas ruas na noite de sábado para evitar festejos), a Iniciativa Liberal decidiu realizar um “arraial comício" durante a tarde, no Largo Vitorino Damásio, em Santos. Apesar das proibições para o resto do país, centenas de liberais fizeram a festa. O evento recebeu várias críticas, incluindo dos líderes do PSD e do CDS: o primeiro recordou as palavras dos responsáveis da IL em relação à Festa do Avante! e o segundo acusou o partido de ter comportamentos negacionistas. 

Como é possível a IL ter criticado o PCP e agora ainda fazer pior que os comunistas”, quis saber Rui Rio numa publicação feita na sua página de Twitter, acompanhada por uma imagem do arraial, onde se vêem muitas pessoas sem máscara. "Assim não!” vaticinou. O líder social-democrata lembrou que é necessário “ter todo o respeito pelos outros e sentido da responsabilidade” e que “a arrogância não é arma contra a pandemia, nem a favor da recuperação económica”.

Já o presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, traçou comparações entre a Iniciativa Liberal e o PCP. "Parece-me que o liberalismo da IL rima com negacionismo e que, contrariamente àquilo que julgávamos, a IL e o PCP têm muito mais em comum do que poderíamos supor à primeira vista”, afirmou nesta segunda-feira. O líder centrista condenou “veementemente” que se “simulem" actos políticos para “furar as regras” de saúde, acrescentando que tal é “um péssimo sinal que se dá aos portugueses e que envergonha a todos”.

“Já critiquei no passado as acções do PCP, tenho de dizer que esta manifestação simulada da IL nos envergonha a todos e é um mau exemplo que se dá por parte dos partidos políticos”, disse, contrapondo com a “postura responsável” que o CDS-PP tem “mantido”. “E é assim que queremos continuar até ao fim porque há portugueses que estão a passar sacrifícios, têm de cumprir escrupulosamente as regras e as orientações das autoridades de saúde e não podem ser desrespeitados por uma casta de políticos que se acha acima dos portugueses”, sublinhou.

Questionado sobre declarações suas em que defendia ser possível organizar santos populares a uma escala reduzida, o presidente do CDS-PP explicou que essa postura poderia ser mantida desde que “houvesse pareceres positivos por parte das autoridades de saúde”. O que não aconteceu com o arraial da Iniciativa Liberal.

O PCP, alvo das críticas da IL (e do resto de toda a direita) no Verão do ano passado, prefere não entrar em polémicas. “As condições em que são realizadas iniciativas de outras forças políticas são da sua responsabilidade. Como temos defendido, é necessário prosseguir a vida, criando condições para a retoma das diversas actividades com a garantia das medidas de segurança sanitária necessárias”, respondeu o partido quando questionado pelo PÚBLICO sobre a diferença de tratamento entre os dois eventos.

O evento liberal foi realizado apesar do parecer desfavorável do delegado de Saúde Regional de Lisboa e Vale do Tejo, António Carlos da Silva. "Atendendo ao princípio de precaução em saúde pública, e pela situação epidemiológica actual na cidade de Lisboa, a mesma não deverá ocorrer e ser adiada”, lia-se no relatório citado pela Lusa.

O arraial juntou centenas de pessoas, ora em mesas, ora em pé, e num recinto com várias bancas representativas da Iniciativa Liberal em diferentes cidades. A banca da Iniciativa Liberal de Loures tinha um jogo de setas apontado a um boneco que envergava uma camisola com a cara de Che Guevara e outro com as caras de alguns adversários políticos: António Costa e Fernando Medina mais próximos do centro; e a ministra da Saúde, Marta Temido; o ministro das Infra-estruturas, Pedro Nuno Santos; o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva; o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita; e os líderes partidários do PCP, BE e PSD espalhados pelo alvo.

Notícia actualizada: Acrescenta a resposta da IL.