Está aí o Parapeito, um festival de arte para ser vista da janela

O festival cuja primeira edição aconteceu em 2020 quer levar a arte ao encontro de quem se viu afectado e isolado no actual contexto de pandemia. A segunda edição termina a 25 de Junho, passando por escolas, centros sociais, associações e hospitais.

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Monstro Colectivo, "A história de um estendal e de uma avó que não sabia ler", de Catarina Mota, no Centro Social São Cristóvão e São Lourenço. Mariana Mateus

A ideia do Parapeito surgiu em Abril de 2020, em pleno confinamento. “Fechados em casa, sentíamo-nos de peito apertado pela distância, pela ausência, pela incerteza, pelo receio. Como vai ser agora? Até quando ficaremos assim?”. Foi esta a inquietação que motivou Susana Alves, fundadora da Lugar Específico, a idealizar o festival.

O objectivo é claro: levar a arte nas suas diferentes formas a quem mais precisa dela. “Eles no seu parapeito e nós a entregar alimento para o seu peito”, descreve na página oficial. Pretende-se também dar vida à cultura em momentos conturbados, incentivando a continuidade da criação artística remunerada e apoiando o trabalho dos artistas.

“Numa configuração inovadora e inusitada” que permite manter o distanciamento de segurança sem descurar na cultura, o Parapeito apresenta “peças concebidas para o espaço exterior e para serem vistas da janela: um solo, uma declamação, um malabarismo, uma história, um concerto ou o que a imaginação permitir”. Entre a música e a dança, passando até pelas artes circenses, apesar de realizado ao ar livre, o festival é voltado para pessoas em “contextos de fragilidade e isolamento”.

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Maria Antunes & Sango, "Simbio" no Instituto de Apoio à Criança (centro comunitário de Chelas). Mariana Mateus

No Outono de 2020 realizou-se a primeira edição, que contou com espectáculos de quatro artistas nos hospitais de Santa Maria e Pulido Valente, na Casa Acreditar e no Instituto Português de Oncologia (IPO). Este ano, entre 12 de Maio e 25 de Junho, o festival itinerante que se dirige a uma “plateia vertical” volta a visitar alguns destes locais.

A decorrer em Lisboa, o Parapeito tem lugar em nove entidades parceiras, entre as quais o Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves, o Centro Social Polivalente de São Cristóvão e São Lourenço, o Centro Social da Sé e o Instituto de Apoio à Criança de Chelas. Os espectáculos são variados, tal como se pretende, acolhendo artistas como os bailarinos Maria e Hélio Sango, os projectos Circo Caótico e Monstro Colectivo e o malabarista Mica Paprika.

Texto editado por Ana Maria Henriques