BCE mantém ritmo “elevado” de compras de dívida no terceiro trimestre

Plano de compras lançado no início da crise sanitária manter-se-á inalterado em 1850 mil milhões de euros até “pelo menos” Março de 2022. Crescimento da zonae euro para este ano foi revisto em alta, para 4,6%

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LUSA/ECB HANDOUT

O Banco Central Europeu (BCE) manteve esta quinta-feira as taxas de juro directoras no nível mínimo histórico e confirmou a continuação do pacote de apoio à economia, foi anunciado pela entidade presidida por Christine Lagarde.

Segundo um comunicado divulgado na sequência da reunião de política monetária do conselho da instituição, realizada na manh desta quinta-feira, a taxa de juro principal foi mantida em zero e aos bancos continuará a ser cobrada uma taxa de -0,50% sobre os depósitos no banco central.

“O conselho de governadores prevê que as principais taxas de juro do BCE se mantenham nos níveis actuais ou inferiores” até que “a inflação convirja de forma significativa para um nível próximo, mas abaixo, de 2% [na zona euro]” no seu cenário previsional e que essa convergência tenha sido reflectida de forma “consistente” na “dinâmica da inflação subjacente”.

O banco central alterou a sua previsão de inflação esta quarta-feira, prevendo agora 1,9% em 2021 para a zona euro (quando a previsão era de 1,5% em Março), de 1,5% em 2022 (quando a estimativa era de 1,2% em Março) e de 1,4% em 2023 (face à expectativa anterior de 1,4%).

O BCE também afirmou que vai manter um ritmo elevado de compras de dívida no terceiro trimestre para apoiar a recuperação.

O plano de emergência (ou PEPP, de pandemic emergency purchase programme) lançado no início da crise sanitária mantém-se inalterado em 1850 mil milhões de euros em compras até “pelo menos Março de 2022” e até que “considere que tenha terminado a fase de crise provocada pela pandemia”, adiantou o BCE.

Com base na “avaliação conjunta das condições de financiamento e de previsão de inflação”, o conselho de governadores estima que as compras líquidas sobre o PEPP continuem no próximo trimestre (Julho a Setembro) a um ritmo “significativamente mais elevado” do que o registado “nos primeiros meses do ano”, depois de terem sido feitas a um ritmo “significativamente” superior à média desde Março, mais uma vez para assegurar um acesso fácil ao crédito.

Já as aquisições líquidas sob o programa de compras de activos (ou APP, de asset purchase programme) irão manter-se a um ritmo mensal de 20 mil milhões de euros, acrescentou ainda a instituição liderada por Christine Lagarde.

PIB da zona euro cresce 4,6% este ano

O BCE espera que a economia da zona euro cresça 4,6% este ano, mais seis décimas do que os 4% previstos em Março. Numa conferência de imprensa depois da reunião do conselho do BCE, Chistine Lagarde acrescentou que o BCE espera um crescimento de 4,7% em 2022 (em Março a previsão para o próximo ano era de 4,1%) e de 2,1% em 2023 (mantendo a previsão de Março inalterada).