Marcelo sobre recondução de Guterres: “É um prestígio enorme para Portugal”

Chefe de Estado diz que o apoio do Conselho de Segurança da ONU à recondução de António Guterres como secretário-geral é total mérito do antigo primeiro-ministro português.

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Marcelo Rebelo de Sousa, acompanhado pelo presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, bebe uma tradicional poncha durante uma visita a Câmara de Lobos LUSA/TIAGO PETINGA
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O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, durante a cerimónia de entrega do Prémio Literário juvenil 10 de junho, no Palácio de São Lourenço, no Funchal LUSA/HOMEM DE GOUVEIA
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Marcelo conversa com uma popular numa igreja durante uma visita a Câmara de Lobos LUSA/TIAGO PETINGA
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Presidente da República, acompanhado por Miguel Albuquerque, observa uma estátua de Winston Churchill, durante uma visita a Câmara de Lobos LUSA/TIAGO PETINGA
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Demonstração de um projeto de controlO marítimo da Marinha portuguesa, em Câmara de Lobos, Madeira LUSA/TIAGO PETINGA
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O Presidente da República manifestou na tarde desta terça-feira “grande satisfação” pelo apoio do Conselho de Segurança das Nações Unidas à recandidatura de António Guterres a secretário-geral da organização.

É, disse aos jornalistas durante uma caminhada pela baixa da cidade de Câmara de Lobos, na Madeira, uma vitória do antigo primeiro-ministro, que mesmo com um mandato difícil, com a pandemia, a crise de refugiados e uma administração norte-americana proteccionista, conseguiu reunir o consenso entre diferentes sensibilidades e distintos interesses nacionais.

“É um prestígio enorme para Portugal esta aceitação a nível mundial de países tão diferentes como os Estados Unidos da América, o Reino Unido, a França, a República Popular da China e a Federação Russa”, explicou Marcelo Rebelo de Sousa, acrescentando: “O facto de eles darem esta luz verde significa, no fundo, um caminho aberto para a Assembleia-Geral [das Nações Unidas] depois adoptar em plenário a decisão”.

Marcelo falava a meio do percurso que o levou de uma demonstração das potencialidades da utilização de drones na investigação e segurança marítima, até à assinatura de um conjunto de protocolos de cooperação entre diversas entidades, entre as quais o Estado-Maior-General das Foras Armadas, e o governo madeirense. Pouco mais de um quilómetro, que o Chefe de Estado percorreu em quase duas horas. Visitou uma igreja. Ajudou a fazer poncha num dos bares da zona. Conversou. Fotografou. Deixou-se fotografar.

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Marcelo lança-se no programa oficial

Os dias de Marcelo, já se sabe, acabam tarde e começam cedo. O desta terça-feira, segundo dia da visita do Presidente da República à Madeira, onde esta quarta e quinta-feira decorrem as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, começou na véspera.

Ainda em Belém, o Chefe de Estado reuniu com uma delegação de representantes da Associação de Lesados BANIF (ALBOA), que tem agendada uma manifestação para quinta-feira, no mesmo local onde vão decorrer as cerimónias do 10 de Junho. Depois, logo que chegou ao Funchal, encontrou-se no hotel com uma delegação de representantes da Associação de Lesados BES Emigrantes da Venezuela e África do Sul (ALEV).

Pelo meio, aos jornalistas que aguardavam, no aeroporto, o Falcon da Força Aérea, confessou “estranheza” sobre o tema do dia – o controlo de fronteiras terrestres esboçado por Espanha –, que desvalorizaria mais tarde (“foi um erro, acontece”), e achou interessante o convite-desafio que Miguel Albuquerque, presidente do governo madeirense, endereçou ao primeiro-ministro inglês, Boris Jonhson, para passar a lua-de-mel na Madeira, encontrou-se no hotel com representantes da Associação de Lesados BES Emigrantes da Venezuela e África do Sul (ALEV).

Já esta manhã, após um mergulho no mar junto ao hotel onde está hospedado, Marcelo lançou-se no programa oficial, dedicado a assinalar o Dia Mundial dos Oceanos. Em Câmara de Lobos, depois de ter desvalorizado a polémica do dia, dizendo não ter “nada de substancial” contra a nomeação de Pedro Adão e Silva para presidir a comissão executiva das celebrações do 50.º aniversário do 25 de Abril, em 2024, o Chefe de Estado, dramatizou o discurso para falar da “urgência” do país olhar para o mar.

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Marcelo Rebelo de Sousa acena à população após a cerimónia de deposição de Coroa de Flores no Monumento ao Emigrante Madeirense, Funchal Tiago Petinga

“Temos à nossa frente cinco a sete anos decisivos, que não os podemos desperdiçar”, sublinhou, referindo-se aos apoios comunitários que vão chegar, e devem ser bem aplicados no aproveitamento dos nossos recursos marítimos. “Uma palavra de elogio para o Governo Regional da Madeira, e para o presidente Miguel Albuquerque, que tem chamado permanentemente a atenção para esta matéria.”

As comemorações do 10 de Junho realizam-se este ano na Madeira, um ano depois do previsto, e dois anos após o que o governo madeirense e o PSD-Madeira queriam.

Desde que chegou a Belém, Marcelo Rebelo de Sousa tem descentralizado as celebrações do Dia de Portugal, dividindo-as entre o país e o estrangeiro. Em 2016, o 10 de Junho foi assinalado em Lisboa e Paris. No ano seguinte, no Porto e no Rio de Janeiro. Em 2018, a data foi partilhada entre os Açores e os Estados Unidos, em 2019 existia a expectativa que fosse a Madeira a acolher as celebrações. Marcelo falou com António Costa, e disse que não, justificando com o calendário eleitoral apertado.

Em ano de eleições europeias, regionais e legislativas, o Presidente da República entendeu que a presença na Madeira poderia ser aproveitada politicamente, num ano de grande intensidade eleitoral, em que o PSD-Madeira jogava a sobrevivência e o PS apostava tudo. A decisão provocou mal-estar no Funchal, e esteve na base da proto-candidatura de Miguel Albuquerque a Belém, mas não demoveu Marcelo.

A escolha foi então de dividir as comemorações entre Portalegre e Cabo Verde, com a promessa de no ano seguinte a data ser assinalada no Funchal, mas atravessou-se a pandemia, e o 10 de Junho circunscreveu-se a uma cerimónia discreta no Mosteiro dos Jerónimos.