Estas bolsas são para quem quer estudar no Porto para, mais tarde, voltar à sua terra

Programa da U-World destina-se a estudantes do 12.º ano que queiram estudar no Porto, fora da sua área de residência. O apoio, de 5 mil euros, poderá renovar-se durante os três anos da licenciatura. As candidaturas estão abertas até 30 de Julho.

Foto
Unsplash

Mesmo depois de ter decidido que o Porto seria cenário da sua aventura no ensino superior, Paulo Ribeiro quis continuar a contribuir para o desenvolvimento de Castelo de Paiva, a sua terra de origem. Agora, é CEO da empresa que criou um programa para apoiar estudantes que estejam a concluir o 12.º ano — e que, tal como ele, queiram prosseguir estudos “fora da sua área de residência” numa universidade ou politécnico públicos no Porto.

O Filhos da Terra, criado pela U-World, multinacional de gestão de residências universitárias, surge para “contribuir para a melhoria das condições da sociedade, através da formação de novas gerações mais qualificadas” que, depois, poderão regressar aos seus territórios, muitas vezes “carenciados na captação e talentos”, explica.

As candidaturas ao programa estão abertas até ao dia 30 de Julho e os resultados são conhecidos dois meses depois. Segundo o CEO da U-World, serão atribuídas, no mínimo, “dez bolsas”; contudo, o número de estudantes apoiados poderá ascender até 30. O valor da bolsa fixa-se em “5 mil euros para cada ano”, havendo possibilidade de renovação até três anos. Esse montante visa “suportar propinas e alojamento”, estando ainda garantida “tutoria para facilitar a adaptação do aluno à nova vida numa nova cidade”. “O aluno recebe o valor da propina; as outras verbas são geridas pela U-World”, esclarece Paulo Ribeiro, acrescentando que “o alojamento é fornecido” pela empresa.

Não há média mínima para se concorrer, apesar de “haver um critério de mérito”. Ainda assim, existe “preferência” por quem vier “de territórios de maior interioridade”. Para se ser seleccionado, contam ainda critérios como o “histórico curricular e/ ou o curriculum vitae do candidato”, bem como “o desempenho do candidato na entrevista pessoal”, como se lê no regulamento do concurso.

Em comunicado, a directora-geral do grupo, Inês Caldas, frisa que “é nas oportunidades de desenvolvimento” do potencial dos talentos distribuídos por todo o território nacional que se verifica “um desequilíbrio efectivo”, acompanhado do despovoamento do interior. “Neste sentido, propomos uma abordagem colaborativa e próxima, que impulsione simultaneamente o sucesso do estudante, com um acompanhamento personalizado a nível pessoal e académico, e promova uma participação activa destes nos concelhos do interior”, conclui.