Xi Jinping quer ajudar os estrangeiros a entender que está a trabalhar para a “felicidade do povo”

Presidente da China pediu o reforço da propaganda para criar a imagem de um país “confiável, adorável e respeitável”.

Foto
Noel Celis/Pool/REUTERS

A China vai reforçar a sua propaganda internacional para reforçar a sua imagem global e estabelecer o estatuto do país como “confiável, adorável e respeitável”. O pedido foi feito pelo Presidente Xi Jinping num discurso, na segunda-feira, durante uma reunião de estudo do bureau político do Partido Comunista (PCC), onde o chefe de Estado pediu um reforço da propaganda internacional para ajudar os estrangeiros a perceber que o partido e o Governo estão “a lutar pela felicidade do povo chinês”.

Num reconhecimento de que a imagem do país no palco mundial não é actualmente das melhores, Xi afirmou que a China precisa de desenvolver uma imagem internacional que reflicta o seu estatuto como potência mundial. Para tal, recomendou que o país precisa de melhorar a forma como conta as suas “histórias” à audiência global.

Como afirma a agência pública chinesa Xinhua, embora o Presidente chinês reconhecesse uma melhoria substancial na influência da China no discurso internacional desde o congresso do PCC que o escolheu para liderar o país, os desafios de hoje exigem outro tipo de abordagem.

Para isso, Xi sublinhou a necessidade de Pequim desenvolver o seu discurso e narrativa com base nas suas próprias práticas e teorias, utilizando novos conceitos, domínios e expressões.

Xi enfatizou a necessidade de contar as histórias à maneira chinesa, com foco na força espiritual por trás dessas histórias. Desenvolver uma “voz internacional” que mostre “uma China verdadeira, tridimensional e abrangente”.

A mudança pedida pelo chefe de Estado chinês é um reflexo do desgaste que a pandemia de covid-19 causou na sua imagem internacional e a erosão da sua influência internacional, com as suas grandes iniciativas de expansão da influência chinesa (como a iniciativa Belt and Road) a perderem o fôlego que traziam até ao surgimento do SARS CoV-2.

E, acima de tudo, mostra a insatisfação do Presidente da China com a actual diplomacia beligerante dos “lobos guerreiros”, que se multiplicam a responder em força a qualquer crítica à China ou iniciativa vista como contrária aos interesses chineses e contribuíram para hostilizar muitos media estrangeiros.

Xi Jinping quer agora que seja criada uma equipa de profissionais com métodos de comunicação definidos que contribua para diminuir a tensão com a imprensa estrangeira.