Museu de Tiananmen em Hong Kong obrigado a encerrar na véspera do aniversário do massacre

A UE pediu às autoridades chinesas para permitirem as celebrações de Tiananmen, salientando que “Hong Kong e Macau deveriam ter a liberdade de celebrar o aniversário”.

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Velas eletrónicas expostas no Museu 4 de Junho, que comemora o massacre de Tiananmen de 1989 LAM YIK/Reuters

A organização da vigília anual em Hong Kong em homenagem ao massacre de Tiananmen de 1989 anunciou o encerramento do museu onde estava prevista a comemoração do aniversário do massacre, na sexta-feira.

O Museu 4 de Junho, em Hong Kong, foi encerrado temporariamente depois de o Governo ter aberto uma investigação por falta de licença, diz o South China Morning Post. No entanto, a organização indicou que o museu tem estado aberto nos últimos dez anos sem entraves e denunciou que a investigação em torno da licença se trata de uma jogada política.

Richard Tsio, à frente da gestão do museu, explicou que as portas foram abertas no dia 30 de Maio durante três dias “antes de receber um alerta sobre uma licença do Departamento de Alimentação e Higiene Ambiental”.

O Governo chinês voltou a proibir este ano a vigília prevista para sexta-feira para comemorar o aniversário do massacre de Tiananmen por motivos sanitários relacionados com a pandemia de coronavírus. Inclusivamente, na semana passada as forças de segurança de Hong Kong alertaram que a participação na vigília ou numa manifestação pode resultar em cinco anos de prisão.

A tradicional vigília nocturna foi proibida em Hong Kong, uma vez que as autoridades consideram existir um grande risco de contágios por coronavírus. Será o segundo ano consecutivo sem comemorações.

Entretanto, a União Europeia (UE) pediu às autoridades chinesas para permitirem as comemorações do massacre, marco histórico do movimento democrático na China.

“Os habitantes de Hong Kong e Macau deveriam ter a liberdade de celebrar o aniversário de forma adequada, dentro do permitido pelas restrições relacionadas com a saúde”, afirmou à Europa Press a porta-voz do Serviço Europeu de Acção Externa, Nabila Massrali.

Para a UE, estas comemorações seriam um “forte indicador” de que os direitos fundamentais estão a ser garantidos em ambos os territórios e considera que um “compromisso claro” com o respeito pelos direitos e liberdades “é agora mais importante do que nunca à luz dos acontecimentos recentes”.

As relações entre a China e a UE não atravessam a melhor fase, depois de o bloco ter imposto as primeiras sanções dos últimos 30 anos contra funcionários chineses devido à situação dos direitos humanos na província de Xinjiang.

As restrições tiveram uma resposta imediata de Pequim: sancionou políticos, instituições e centros de estudo europeus pelas suas posições críticas sobre o tratamento da minoria uigur na província chinesa.

As tensões ameaçam com minar a ratificação do acordo comercial subscrito entre Bruxelas e Pequim no final de 2020, tremida perante a relutância do Parlamento Europeu, caso a China decida manter os vários deputados na sua lista negra.