Peru actualiza número de mortos da covid-19 e passa a ser o quinto pior do mundo

Novos critérios usados por um grupo de trabalho criado pelo Governo passaram o total de mortos de 67.807 para 180.764.

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Um protesto de profissionais de saúde peruanos que lidavam com pacientes de covid-19 em Maio do ano passado Sebastian Castaneda/REUTERS

O Governo peruano reviu os números de mortos por coronavírus no país e chegou à conclusão que foram afinal 180.764, quase o triplo dos 67.807 contabilizados até 22 de Maio pelas autoridades de saúde do Peru. A conta foi feita pelo grupo de trabalho técnico criado pelo Goveno que aplicou novos critérios para registar os falecidos pela covid-19.

“É importante que fique claro que este relatório não está a dizer que ‘há mais mortos do que havia’. O que se está a dizer que é que um número importante de falecidos não foi quantificado como causado por covid-19”, explicou o ministro da Saúde peruano, Óscar Ugarte, durante uma conferência de imprensa realizada na segunda-feira ao final do dia no palácio presidencial, em Lima.

Justificação para que o Governo, mesmo à luz destes novos números, não reveja a sua política de saúde pública em relação à covid-19, que se manterá sem alterações.

O grupo de trabalho esclareceu que para ser considerado entre as mortes da pandemia é preciso cumprir pelo menos um dos sete critérios técnicos estabelecidos. E criou até uma ferramenta que pode ser utilizada em tempo real para informar diariamente sobre o número de óbitos denominada NOTI-SINADEF, que passará a ser utilizada a partir desta terça-feira para os registos oficiais de mortes da pandemia.

“Interessa-nos que estas contribuições apresentadas pelo grupo de trabalho estejam feitas no âmbito das sugestões que tem dado a Organização Mundial de Saúde (OMS) a todos os países para que revejam a sua informação porque a OMS supõe que há um desfasamento entre a informação dada pelos diferentes países e a realidade”, acrescentou Ugarte.

Com esta actualização, o Peru passa a ser o quinto país com maior número de mortos pela pandemia, a seguir aos Estados Unidos, Brasil, Índia e México.

Uma notícia que não apanha de surpresa muita gente, porque desde a primeira morte por covid-19, em Março do ano passado, que os números oficiais de mortos são questionados pelos jornais e a opinião pública.

As imagens dos cemitérios cheios com novos enterros todos os dias e dos hospitais a verem-se obrigados a adquirir contentores frigoríficos para armazenar cadáveres, depois das morgues existentes se mostrarem insuficientes para tanta letalidade, dava a entender que a situação era bem pior que as estatísticas oficiais davam a entender.