Morreu Buddy Van Horn, o duplo e amigo de Clint Eastwood

Dobrou a personagem do actor-realizador em mais de uma dezena de filmes, mas também o dirigiu em três deles, numa carreira de seis décadas e mais de uma centena de títulos. Morreu aos 92 anos.

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Clint Eastwood e Buddy Van Horn, uma parceria de várias décadas DR

A morte aconteceu já no dia 11 de Maio, mas só foi divulgada pela família esta segunda-feira através de um obituário publicado no Los Angeles Times, sem indicação das causas nem do lugar: desapareceu aos 92 anos o norte-americano Buddy Van Horn, que, se trabalhou como duplo em mais de uma centena de filmes e séries de televisão, ficará principalmente para a história do cinema como o “companheiro” (“buddy”, nome que escolheu para se designar a si próprio, em substituição do seu nome de baptismo, Wayne) e duplo de Clint Eastwood.

“Nós compartilhamos os mesmos gostos na forma como queremos ver a história desenrolar-se perante as câmaras; e isso é o tipo de coisa que é difícil de explicar a alguém: ou se sente ou não”, disse Clint Eastwood em entrevista ao Los Angeles Times em 1988, agora citada pelo Hollywood Reporter.

Em contrapartida, Buddy Van Horn testemunhava assim, ao Independent, em 2011, como era trabalhar com o seu amigo realizador: “Ele é muito físico, e gosta de fazer as suas próprias acrobacias”. “Algumas das coisas que ele faz, podiam facilmente correr mal”, continuou Buddy, acrescentando ter por várias vezes tentado dissuadi-lo, mas “sem grande sucesso”. Clint gostava de “ser ele a resolver essas situações; e algumas vezes foi mesmo espancado”, revelou.

A parceria de ambos, que haveria de prolongar-se por mais de quatro décadas e mais de uma dúzia de filmes, começou com A Pele de um Malandro (Donald Siegel, 1968), e concluiu-se com J. Edgar (2011), já realizado pelo próprio Clint Eastwood, como a maioria da dezena de longas-metragens em que assim trabalharam juntos. Pelo meio, houve outros títulos com Clint ainda na pele do indómito inspector da Polícia de São Francisco Dirty Harry Callahan, e sob a direcção do mesmo Don Siegel. Nos anos 80, Eastwood acabaria mesmo por trocar de lugar com o seu duplo, que foi o realizador de três filmes por ele interpretados: O Regresso do Rebelde (1982), Na Lista do Assassino (1988), e O Cadillac Cor-de-rosa (1989).

Mas, à imagem de uma parte marcante da filmografia de Eastwood, Buddy Van Horn foi acima de tudo um duplo de westerns. Um “destino”, de resto, facilitado pela sua própria biografia: Wayne nasceu a 20 de Agosto de 1928, na Califórnia, dentro dos Estúdios da Universal, onde o seu pai trabalhava como veterinário. Foi pela mão dele que o pequeno “buddy” aprendeu a arte equestre e a forma de lidar com cavalos nas situações mais variadas e arriscadas. Daí a duplo dos westerns foi um salto, só interrompido quando, em 1949, se viu recrutado para o Exército americano, seguido de um destacamento de dois anos na Alemanha, já em pleno ambiente de Guerra Fria.

No regresso à Califórnia e a Hollywood, voltou a saltar para o dorso dos cavalos. Sucederam-se então os filmes (e os westerns) no grande e no pequeno ecrã. Em 1957-58, substituiu Guy Williams a montar o mítico ‘Tornado’ na série Zorro, produzida pela Walt Disney para a cadeia ABC. Logo a seguir, deu “o corpo ao manifesto” nas acções e cavalgadas mais perigosas de actores como James Stewart (O Último Tiro, 1968), Gregory Peck (O Ouro de Mackenna, 1969) ou de novo Stewart e Henry Fonda (Um Clube Só para Cavalheiros, 1970).

De regresso ao trabalho com Clint Eastwood, continuou também a montar o cavalo de Os Abutres Têm Fome (Don Siegel, 1970) e de O Pistoleiro do Diabo (1972), primeiro western por ele realizado. Mas outras longas-metragens se seguiram, noutros registos, como Barreira de Fogo (1977), Na Linha de Fogo (1993), Mystic River (2003) ou Cartas de Iwo Jima (2006).

A longa carreira de Buddy Van Horn está celebrada no Passeio da Fama dos Duplos, e valeu-lhe também um Taurus World Stunt Award.