Casais chineses vão poder ter até três filhos

Partido Comunista decidiu alterar as duras políticas de natalidade para contrariar a descida da população dos últimos anos. A idade da reforma também vai ser atrasada.

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Xangai, China Aly Song/Reuters

O Governo da China anunciou nesta segunda-feira que irá permitir aos casais ter até três filhos, numa mudança nas suas duras políticas de natalidade com vista a “responder ao envelhecimento da população” no país.

A decisão foi adoptada pelo Comité Político do Partido Comunista da China (PCC), que sublinhou a vontade de “melhorar a estrutura populacional” e “preservar as vantagens em recursos humanos no país”, de acordo com a agência de notícias chinesa Xinhua.

Com esse fim, “as políticas de nascimento serão melhoradas” e irá ser “introduzida uma política que permita aos casais ter três filhos, junto com medidas de apoio”.

O PCC também decidiu atrasar a idade da reforma, que é actualmente de 60 anos para os homens e de 55 para as mulheres que trabalham no funcionalismo público e nas empresas públicas e 50 para as operárias. As novas idades da reforma não foram adiantadas.

A medida não é das mais populares, como mostra uma sondagem do ano passado do Changjiang Daily, citada pela Voz da América, onde mais de 80% dos 96 mil inquiridos se mostravam desfavoráveis à mudança da actual idade da reforma.

O Instituto Nacional de Estatística da China informou que em 2020 nasceram 12 milhões de pessoas no país, uma descida em relação a 2019, em que se registaram 14,6 milhões de nascimentos. De acordo com o South China Morning Post, a média passou a ser de 1,3 filhos por mulher.

As autoridades chinesas vêm reformando nos últimos anos as suas duras políticas de natalidade que durante anos impediram as famílias de ter mais de um filho. Em 2016, os casais passaram a ter autorização para ter um segundo filho.

“A política dos três filhos é um avanço, mas a questão é esta: se a política de dois filhos não fez as pessoas terem mais filhos, será que isso vai acontecer com a política dos três filhos?”. disse ao Washington Post Sun Xiaomei, professora na Universidade da Mulher na China.