Rui Moreira desvaloriza críticas sobre a Champions: “Queremos ou não ter turistas?”

O presidente da Câmara do Porto diz “compreender o sentimento das pessoas” quanto ao incumprimento das medidas sanitárias pelos adeptos ingleses, mas reitera que é preciso separar os adeptos previstos para vir à final e os que viajaram “em livre circulação”.

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Reuters/VIOLETA SANTOS MOURA

O presidente da Câmara Municipal do Porto (CMP), Rui Moreira, reiterou a sua discordância face ao coro de críticas que tem ecoado nos últimos dias, no rescaldo dos festejos da final da Liga dos Campeões, sobre os comportamentos dos adeptos ingleses na cidade que, sem máscaras e distanciamento social, ficaram longe da “bolha” sanitária que havia sido anunciada pelo Governo. “Antigamente, [nos eventos desportivos] havia dois riscos: o hooliganismo e o terrorismo. Agora temos um terceiro risco e temos que viver com ele no futuro”, afiançou, em declarações aos jornalistas, no final da reunião camarária desta manhã. “Dentro desse risco, as medidas que foram tomadas foram as possíveis.”

Como já havia dito ao PÚBLICO, o autarca independente referiu que “é preciso separar os adeptos com que contávamos”, aqueles que estariam inseridos na “bolha” sanitária, e “as pessoas que estão em livre circulação, algumas [das quais] vieram mais cedo para a cidade e algumas que ainda cá estão”. “O que me parece óbvio é que com esses adeptos [os que tinham bilhete para o jogo] não houve nenhum problema”, ressalvou. A enchente que se verificou, justifica, decorre da actual abertura de fronteiras que posiciona Portugal como um destino atractivo para os ingleses. “Os turistas britânicos são livres de virem a Portugal da forma que querem, para fazer turismo, para assistir ao jogo, para ir à Praia da Oura ou ao Bairro Alto.” 

Porto terá facturado 50 milhões

No entanto, Rui Moreira solidarizou-se com o sentimento de “repúdio” dos portuenses ao ver “as pessoas que cá estão a ter um comportamento que nós não podemos ter, porque não nos é permitido”. Sublinhou, contudo, que “o que está mal não é propriamente terem vindo adeptos para a cidade, nem turistas, nem andarem a fazer compras, pagarem táxis e encherem cafés, deixarem aqui provavelmente 50 milhões de euros”. Em vez disso, realça, “há um conjunto de proibições que a DGS continua a impor e não se percebe”, como a obrigatoriedade de encerramento dos restaurantes às 22h30, “obrigando-nos a concentrar [nesse horário] e retirando receita [aos estabelecimentos]”. E, alertando à necessidade de “pôr em referência o que está bem”, deixa a pergunta: “Queremos ou não ter turistas?”.

O autarca rejeitou, ainda, a comparação dos festejos da final da Liga dos Campeões aos desacatos que decorreram na festa do Sporting. “Em Lisboa não houve uma final, não houve evento desportivo, não houve criação de riqueza”, sustentou. “Foi uma carga policial que vi e que aqui não vi.” No caso do Porto, os episódios de violência reduziram-se a “pequenos incidentes que juntaram meia dúzia de adeptos que andaram à cabeçada e às vezes até fingiam que estavam a andar à pancada e não estavam”. Também a organização dos festejos não pode ser equiparada, observa o autarca. 

Por outro lado, reitera, a organização do evento não foi da responsabilidade da Câmara do Porto, que dele tomou conhecimento apenas com duas semanas de antecedência. O município só prestou apoio na sua operacionalização, nomeadamente na deslocação de adeptos do aeroporto para o estádio e vice-versa, e na disponibilização de dois espaços públicos, que foram “transformados em espaços privados” para acolher os simpatizantes do Chelsea e do Manchester City nos Aliados e na Alfândega, respectivamente. 

Notícia actualizada às 18h51: Foi retirada a frase “O que aconteceu foi que a Câmara de Lisboa montou ecrãs de televisão. Eu não montei”, uma vez que a câmara do Porto rectificou as declarações do seu presidente visto o município de Lisboa não ter montado ecrãs.

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