Rua, um documentário para lembrar que é preciso voltar a ocupá-la com “responsabilidade colectiva”

"Todas as razões para fazer a revolução existem.
Todas as razões estão reunidas, mas não são as razões que fazem as
revoluções, são os corpos.
E os corpos estão à frente dos ecrãs."

É esta a citação que dá início a Rua, o novo documentário que os Left Hand Rotation realizaram. O colectivo de espanhóis a viver em Portugal lançou esta semana o vídeo de cerca de 20 minutos, que mostra imagens de Lisboa deserta, em pleno confinamento, e, em contraste, com milhares de pessoas em manifestação. É, resumem, "um filme sobre a crise de saúde e disputas políticas que explodem na cidade". Não é "exaustivo", ou, por outras palavras, "foram muitas mais as [manifestações] que aconteceram" e não estão todas aqui presentes — mas é o suficiente para mostrar o contraste da ocupação da cidade num momento em que as manifestações no espaço público foram proibidas.

O colectivo reuniu imagens da manifestação organizada pelos colectivos Stop Despejos e Habita, da manifestação feminista de 8 de Março e da Greve Climática — estas três ainda em 2019 — e do protesto Black Lives Matter, já em 2020, em plena pandemia. "Mesmo dentro de cada uma delas, dentro de uma ocupação colectiva da rua, há muita coisa a acontecer. Estas filmagens foram feitas a partir do nosso espaço de militância nos movimentos pela habitação, mas com um olhar interseccional", afirmam. 

Rua é, acima de tudo, "uma chamada a voltar para as ruas com a consciência política e a responsabilidade social e colectiva". É um alerta para "não perder o espaço público, como já está a acontecer com a massificação de esplanadas" — um desafio para "sair à rua para fazer mais alguma coisa que não seja o consumo", atiram. 

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