O confinamento que abriu os Black Midi

Depois de celebrados como salvadores do rock, eis que o trio inglês se salva dessa maldição. Cavalcade, o novo disco, é um magnífico álbum que não apaga o rock, mas que se abre ao jazz e a tudo o que encontra pelo meio.

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Cameron Pitcon sabe exactamente quando é que as coisas começaram a mudar na vida dos Black Midi. Foi na primeira semana de Junho de 2018, quando actuaram em cinco salas diferentes do mapa de Londres, tocando na primeira parte dos Preoccupations, dos Warmduscher e dos OMNI, ou como cabeças de cartaz no Windmill e no The Social. Após um desses concertos, no The Social, escrevia o site Gigwise que os Black Midi tinham demonstrado em palco “o porquê de serem uma das bandas com maior buzz na cena underground do momento”. “Uma banda pós-punk/math rock tão brilhantemente caótica que são quase literalmente irreais”, escrevia-se então. Mas a noção de que a mudança tinha chegado, nesse momento em que lançavam também o single Bmbmbm, residia sobretudo em indicadores pouco mensuráveis. Em conversa com o Ípsilon, Pitcon lembra-se que foi então que, após os concertos, começaram a ser abordados por espectadores entusiasmados que não se tornariam amigos em seguida nem cumprimentariam na rua se voltassem a cruzar-se passadas umas semanas. Foi nessa altura também que estranharam quando um amigo lhes relatou que ouvira falar deles num café, da boca de desconhecidos. O círculo alargava-se.

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