Ministros debatem relações UE-NATO, Moçambique e instabilidade no Mali

Reunião informal dos responsáveis da Defesa da União Europeia arranca com um jantar e, sexta-feira, tem encontro com representantes africanos.

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Secretário-geral da NATO com António Costa em Lisboa LUSA/JOSE SENA GOULAO

As relações UE-NATO, o apoio europeu a Moçambique e a instabilidade política no Mali são temas em destaque na reunião informal de ministros da Defesa da União Europeia, que começa esta quinta-feira, com um jantar de trabalho, em Lisboa.

“Queremos que seja um jantar de trabalho muito prático, muito concreto. O secretário-geral da NATO [Jens Stoltenberg], com quem estive ontem, já me disse que fará um ponto de situação sobre as ambições de trabalho comum entre a UE e a NATO e portanto vamos fazer a análise desse ponto de situação, como é que nós estamos e como é que podemos aprofundar o relacionamento” entre a UE a Aliança Atlântica, adiantou o ministro da Defesa Nacional.

A “situação de grande instabilidade e agora com um segundo golpe de Estado no Mali” e o apoio a Moçambique, que enfrenta ataques terroristas desde 2017, são outros pontos de destaque na agenda da ministerial, apontou João Gomes Cravinho, em declarações à Lusa.

De acordo com o ministro, tem vindo a ganhar força a hipótese de a UE apoiar as autoridades moçambicanas na estabilização da situação em Cabo Delgado, sendo que desde o dia 19 de Maio está no terreno uma missão técnica europeia que “já produziu alguns resultados”.

“Aquilo que nós prevemos para os próximos anos é que haja uma continuação e até alargamento das missões europeias em África. Mas tem faltado o dialogo político com as autoridades competentes africanas”, observou.

Se a anterior reunião de ministros da Defesa “permitiu constatar que havia um apoio bastante amplo para uma missão da UE”, esta ministerial “já vai ser sobre como é que se vai concretizar essa missão, qual vai ser a natureza da missão, quais os países que têm forças disponíveis para participar nessa missão”, constituindo-se como “um passo adiante”, concretizou.

Gomes Cravinho destacou ainda que, nesta sexta-feira, os ministros da Defesa reúnem-se com representantes de organizações regionais africanas para discutir a dimensão Paz e Segurança da Parceria UE-África e ainda com o subsecretário-geral para as Operações de Manutenção de Paz da Organização das Nações Unidas.

Sobre a instabilidade no Mali, será discutido como é que a União Europeia “deve reagir”, tendo em conta que tem uma missão de formação para as Forças Armadas malianas no terreno.

Gomes Cravinho disse que o objectivo é “encontrar a fórmula apropriada para lidar com aquilo que, para a União Europeia é um dilema": uma situação de “instabilidade e penetração do terrorismo no Mali, na região do Sahel mais amplamente, que representa uma ameaça para a estabilidade daquela região e uma ameaça directa devido a razões geográficas, razões de proximidade, para a própria segurança da Europa”.

“O que nós temos neste momento é a constatação de que podemos até estar a avançar em matéria securitária mas não há avanços, pelo contrário, em matéria de boa governação no país. E temos de reflectir em conjunto sobre qual deve ser a nossa resposta face a essa circunstância”, sintetizou.

O Presidente do Mali e o primeiro-ministro de transição, presos na segunda-feira e demissionários de acordo com os militares, foram libertados durante a noite, disse um oficial militar à Agência France Presse. A libertação foi uma das reivindicações da comunidade internacional face ao que corresponde ao segundo golpe de Estado no Mali em nove meses.

A reunião informal será presidida pelo Alto Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Josep Borrell, no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa.