David Neeleman arranca hoje com nova companhia aérea nos EUA

Ex-accionista da TAP e fundador da Azul começa a operação com aviões Embraer, também usados por estas companhias, enquanto espera pelos Airbus A220.

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David Neeleman detinha 22,5% da TAP Nuno Ferreira Santos

O antigo accionista da TAP, David Neeleman, começa esta quinta-feira as operações da sua nova companhia de aviação, a Breeze Airway. De acordo com uma nota da construtora aeronáutica brasileira Embraer, que também fornece aviões à TAP e brasileira Azul (fundada por Neeleman), a nova empresa vai alugar 13 jactos da companhia, dez E190 e três E195, “com planos de aumentar a frota antes do final do ano”. Segundo a empresa, os primeiros voos vão ligar Charleston, na Carolina do Sul, Tampa, na Florida, e Hartford, em Connecticut, a partir de hoje, e novos destinos serão adicionados até Julho de 2021.

No site da Breeze, onde aparece uma foto de David Neeleman ao lado de um dos aviões da companhia da qual também é o presidente executivo, não há qualquer menção ao seu percurso na TAP, referindo-se que esteve na origem de quatros companhias: Azul, JetBlue, Westjet e Morris Air, a que se junta agora o novo projecto que aposta no mercado interno norte-americano da zona leste, e em cidades que não são directamente servidas por companhias de maior dimensão (obrigando por isso a escalas).

De acordo com a Reuters, o objectivo é o de operar 39 rotas, ligando 16 cidades este Verão. A empresa negociou também a entrega de 60 Airbus A220, que deverão começar a chegar a partir de Outubro, durante um período de cinco anos.

A Breeze, que começou por ser baptizada de Moxy, esteve para arrancar em 2020, ano em que surgiu a pandemia de covid-19 e o empresário saiu da TAP. O “divórcio” com o accionista Estado, representado através do ministro das Infra-estruturas, Pedro Nuno Santos, formalizou-se no início de Outubro, tendo o empresário recebido 55 milhões de euros. Em troca, de acordo com o Governo, o Estado recebeu “22,5% de participação na TAP, 67,5% de direitos económicos, a transferência de 55 milhões de euros em prestações acessórias para o Estado e a cessação de qualquer litigância”.

“Independentemente da importância de que esta situação se revestiu para conseguir assegurar a prestação do auxílio à TAP e, portanto, a sua sobrevivência, o que estava em causa era a possibilidade de a Atlantic Gateway (e não apenas um dos accionistas) poder sair com o direito de lhe ser pago o valor nominal correspondente às prestações acessórias que no passado investiram na companhia (224 milhões de euros) mais o valor da sua participação”, referiu ao PÚBLICO fonte oficial do Ministério das Infra-estruturas.

David Neeleman estava na Atlantic Gateway em associação com Humberto Pedrosa, que ficou na estrutura accionista e está agora a assistir a uma diluição da sua posição.