Estudar no Reino Unido pós-“Brexit”: um guia prático

Um guia informativo sobre os níveis e testes de inglês necessários, uma feira virtual que junta instituições de ensino estrangeiras e uma possível forma de financiamento dos estudos — dicas indispensáveis para quem pensa ir estudar para fora, sobretudo se o destino for o Reino Unido.

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ANNIE SPRATT/UNSPLASH

Na sequência da entrada em vigor do “Brexit”, os cidadãos da União Europeia (num total de 27 países), do Espaço Económico Europeu (que inclui também o Liechtenstein, a Noruega e a Islândia) e da Suíça deixaram de poder viajar para o Reino Unido para estudar sem antes cumprirem determinados requisitos.

No entanto, como se tem vindo a verificar, o “Brexit" não parece ter parado os estudantes portugueses. Segundo os dados da Universities and Colleges Admissions Service, no ano lectivo 2019/20, o Reino Unido foi um dos destinos mais escolhidos pelos alunos nacionais, com mais de 2500 a elegerem universidades britânicas para os seus estudos. E, este ano, de acordo com a OK Estudante, mais de 2000 já ingressaram em escolas de ensino superior sediadas no Reino Unido. 

Dominar a língua

Actualmente, além de ser necessário possuírem um visto, deixando de bastar somente a apresentação do cartão de cidadão, é-lhes requerido um comprovativo de conhecimento da língua inglesa. Por esse motivo, a Cambridge Assessment English, uma fundação sem fins lucrativos da Universidade de Cambridge, criou um guia informativo em torno dos níveis e testes de inglês exigidos para o efeito.

Uma das opções mais seguras para os estudantes é obterem o certificado de utilizador proficiente na língua em questão, de acordo com o estabelecido no Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas (CEFR, na sigla inglesa), reconhecido pela generalidade das instituições britânicas, e que se reparte em dois níveis: C1 (de autonomia ou avançado) e C2 (de mestria ou proficiente). O teste realizado para este propósito é o Cambridge English Exam.

No entanto, um certificado IELTS (International Language Testing System), comummente aceite no país, poderá igualmente servir. Neste, a faixa de pontuação varia entre 0 e 9, sendo que os resultados a partir de 7 correspondem ao nível C1 e a partir de 8,5 ao nível C2 do CEFR. Contudo, como alerta a fundação, é necessário verificar os requisitos específicos da instituição à qual o estudante se pretende candidatar, uma vez que cada uma poderá escolher autonomamente como avaliar o nível que os alunos possuem na língua.

Para aqueles que visam candidatar-se a um curso abaixo do nível de graduação, poderá ser preciso um teste SELT (Secure English Language Test), caso em que a fundação recomenda o IELTS para UKVI, similar em termos de conteúdo, formato, nível de dificuldade e pontuação a um teste IELTS, mudando ligeiramente o modo como os resultados finais são apresentados. Nesta situação, a classificação obtida deverá estar compreendida entre 4 e 5, equivalente a um nível B1 (limiar ou intermédio) do CEFR.

Financiamento para estudar no Reino Unido

Este ano, os estudantes portugueses poderão candidatar-se a um financiamento total (100%) das suas propinas em instituições do ensino superior do Reino Unido, através de uma parceria entre a OK Estudante, uma organização dedicada ao ingresso de estudantes em universidades britânicas, e a Universidade de Coventry, em Inglaterra.

As candidaturas decorrem durante o mês Julho e abrangem cursos como Ciências BiomédicasGestão EmpresarialCiências de ComputaçãoMarketing DigitalRelações InternacionaisEngenharia MecânicaPsicologia Gestão Aeronáutica.

Expandir horizontes

Para os portugueses interessados em estudar no estrangeiro, realizar-se-á na próxima semana, dia 5 de Junho, a 2.ª edição da Feira Virtual Study Abroad Portugal.

De acesso gratuito, esta poderá ser uma das últimas oportunidades com que os estudantes contarão para se candidatarem a determinadas instituições, uma vez que este ano o evento ocorrerá numa data mais próxima dos períodos de candidatura.

Assim, no dia 5 do próximo mês, entre as 11h e as 18h, reunir-se-ão instituições de mais de 15 destinos — entre os quais o Reino Unido —, como universidades, agências educativas, escolas de Verão e escolas de línguas.

Além da possibilidade de assistir às sessões públicas, os alunos poderão também entrar em contacto directo com os representantes das diversas entidades, através de reuniões privadas ou chats.

Texto editado por Carla B. Ribeiro