Duas mercearias portuguesas centenárias entre as melhores do mundo, diz o Financial Times

Manteigaria Silva e Manuel Tavares, no coração de Lisboa, integram lista de locais onde se encontram os “melhores produtos do planeta”, segundo o influente jornal. Ambas as mercearias foram fundadas no século XIX.

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Manteigaria Silva Rui Gaudencio
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Manuel Tavares DR

Têm história que se conta em mais de um século e são orgulhosas montras de produtos portugueses - o Financial Time​s considera que estão entre as 50 melhores mercearias do mundo: as lisboetas Manteigaria Silva e a Manuel Tavares, ambas na órbita do Rossio, surgem entre casas por todo o mundo, de Beirute a Roma, de Bombaim a Nova Iorque.

Numa selecção que visa descobrir onde encontrar os “melhores produtos do planeta”,  a Manteigaria Silva surge pela “vasta selecção de queijos da Serra da Estrela e presuntos curados a seco pendurados das vigas” além do bacalhau, “a sua assinatura”.

A Manuel Tavares é referenciado pelos “fabulosos queijos do Alentejo e Azeitão”, pelos chouriços de javali e veado (e há-os na sua versão “simples” e também com ervas finas ou pimenta), pelo bolo de figo do Algarve, chá preto dos Açores, nozes e frutos secos - mas o jornalista avisa: “não saia sem experimentar o presunto de Barrancos”, da loja onde, refere, os funcionários usam aventais vermelhos listrados e camisas brancas que são como uma marca registada da casa.

Na verdade, a Manuel Tavares, instalada numa das mais pequenas ruas lisboeta, a da Betesga, desde 1860, faz gala do seu “atendimento personalizado, à antiga”. E avisa: “não somos uma loja turística”, apesar de, “felizmente”, ser muito frequentada por estrangeiros. Uma garrafeira bem provida (de vinhos e espirituosas) alia-se a uma mercearia fina, onde os queijos, charcutarias, azeites e vinagres convivem com conservas, patés, chocolates, frutos secos e desidratados, por exemplo.

A história da Manteigaria Silva remonta ao pré-nome: abriu com outra designação na década de 1890 e só ganhou esta em 1922, ano em que também mudou de proprietário. Na altura, como o nome ainda hoje indica, a manteiga era o produto principal (era também um produto valioso: vinha dos Açores em blocos e era depois vendida a peso), acompanhada pelos seus derivados.

Em 1930, a loja é ampliada, em tamanho e vocação - começa a funcionar também um talho, que haveria de transformar-se na mercearia de hoje; e, em 1956, chega o bacalhau. O actual proprietário alargou a área de acção, virando-se também para os queijos - estava constituída a tríade que ainda hoje domina a manteigaria. Bacalhau, queijos e presuntos, portanto, a acompanhar tudo o resto que faz uma mercearia fina, que ganhou uma “loja de sabores” no Time Out Market (fechado por estes dias) e está representada no Bairro do Avillez.

Apesar de serem mercearias oitocentistas, ambas têm loja online: à distância de um clique todos estes produtos que o Financial Times considera serem dos melhores do mundo podem bater-nos à porta.