Irão alarga acesso a imagens de vigilância das instalações nucleares por mais um mês

Para o embaixador iraniano na Agência Internacional de Energia Atómica, Kazem Gharibabadi, esta é uma oportunidade para serem levantadas “todas as sanções de forma prática e verificável”.

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Rafael Grossi, director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica, anunciou o acordo alcançado com as autoridades iranianas CHRISTIAN BRUNA/EPA

O Irão estendeu por mais um mês o acesso às imagens de vigilância das instalações nucleares, num acto de “boa-fé” acordado com a Agência Internacional de Energia Atómica (IAEA, na sigla inglesa). O anúncio foi feito esta segunda-feira por ambas as partes, um dia depois de o antigo acordo ter terminado, dando fôlego às negociações de Viena que serão retomadas esta semana.

“O equipamento e a verificação e monitorização das actividades acordadas vão continuar como estão durante um mês, expirando a 24 de Junho”, disse o director geral da IAEA, Rafael Grossi, em conferência de imprensa. A porta vai ficar entreaberta para um maior acesso no futuro se as conversações derem frutos, reforçou.

O acordo garante que as imagens filmadas pelos inspectores da IAEA dentro das centrais nucleares iranianas nos últimos três meses não serão destruídas. Contudo, o sistema “é como um aparelho de emergência que usamos para continuarmos a monitorizar as actividades”, explicou Grossi.

Ao abrigo do Protocolo Adicional, é possível recolher e analisar imagens de um conjunto de câmaras instaladas nas centrais iranianas, permitindo supervisionar a actuação de Teerão e ver se está a cumprir com o acordo nuclear de 2015 para limitar a produção nuclear do Irão.

Aquele foi, no entanto, interrompido em 2018, aquando da retirada do acordo do então Presidente norte-americano Donald Trump, levando o Irão a ignorar os limites impostos sobre a produção de urânio enriquecido. Só este ano foram retomadas as conversações de Viena: o Irão só baixa a produção de urânio – há um mês atingira os 60% de pureza, a 30% do necessário para a produção de armas nucleares –, se forem levantadas as sanções.

Oportunidade em Viena

Kazem Gharibabadi, embaixador do Irão na agência, em conversa com Grossi, apelou às grandes potências envolvidas nas negociações de Viena para aproveitarem “esta oportunidade extra, oferecida pela boa-fé do Irão”, para levantarem “todas as sanções de forma prática e verificável”, disse Gharibabadi, de acordo com os media estatais.

O fim do acordo termina pouco depois das eleições de 18 de Junho. Segundo o Guardian, tem havido uma disputa em torno das eleições em Teerão relacionado com o nível de compromisso que o Irão está disposto a aceitar com os EUA para garantir o levantamento das sanções económicas. A sua resolução pode sugerir que os negociadores iranianos acreditam num acordo dentro de meses.

Mas ambos os lados esperam pela primeira iniciativa do outro. Para Abbas Araghchi, negociador iraniano, “o mais importante é que, tendo deixado o acordo, os EUA devem em primeiro lugar levantar sanções verificáveis. O Irão continuará depois a total implementação [do acordo]”, disse no Twitter.

A mesma ideia foi partilhada no domingo por Antony Blinken, secretário-geral do EUA, questionando se o Irão cumpriria os compromissos para poder ver as sanções levantadas: “O Irão, penso, sabe que o que precisa de fazer é voltar ao cumprimento da parte nuclear, e o que ainda não vimos é se o Irão está ou não pronto para tomar essa decisão”, disse Blinken à ABC News.