Portugal defende que Israel tem de parar “imediatamente com estes ataques” a Gaza

António Costa está em Paris para participar na Cimeira para o Financiamento das Economias Africanas.

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António Costa com Emmanuel Macron LUSA/YOAN VALAT

Numa altura em que a situação na Faixa de Gaza se agudiza com os bombardeamentos cruzados entre Israel e o Hamas, o assunto foi apenas levemente abordado na conversa que o primeiro-ministro português manteve com o Presidente egípcio nesta terça-feira de manhã em Paris. Mas António Costa foi directo quando questionado pelos jornalistas acerca da posição portuguesa sobre o conflito: “Toda a gente defende um cessar-fogo e, mais do que o cessar-fogo, a criação de condições de convivência entre os povos e entre os Estados. Essa é claramente a posição de Portugal. É necessário que Israel pare imediatamente com estes ataques e que possamos efectivamente regressar a um ponto em que o caminho para a paz seja possível e não se agrave esse caminho para o conflito.”

O primeiro-ministro falava às televisões portuguesas na embaixada de Portugal em Paris, onde se encontra para participar na Cimeira para o Financiamento das Economias Africanas, organizada pelo Presidente Emmanuel Macron. À margem da cimeira, António Costa reuniu-se nesta terça-feira de manhã com os presidentes de Moçambique (Filipe Nyusi), do Egipto (Abdul Fatah as-Sisi), da Tunísia (Kais Saied), do Ruanda (Paul Kagame), e encontra-se ao fim da tarde com o de Angola (João Lourenço).

Na cimeira está a ser discutida a questão do eventual perdão de parte da dívida dos países africanos aos países europeus ou a sua eventual reestruturação. António Costa afirmou que Portugal já aprovou a moratória para dois países de língua oficial portuguesa (sem especificar quais) e que está a apreciar os casos dos restantes, mas acrescentou que na conferência se está a debater um acordo global no qual Portugal se incluirá. “Nós somos um país que tem também um nível de endividamento e por isso toda a nossa participação, para além da relação bilateral, tem de ser vista no quadro geral da União Europeia.”

Sobre a ajuda a África, António Costa disse que esperar que a União Europeia aprove, ainda durante a presidência portuguesa, um programa que “mobilizará 80 mil milhões de euros para investimento no continente africano, dos quais 30 mil milhões obrigatoriamente na África subsariana. Já na nossa presidência organizámos encontros entre os países africanos e o Banco Europeu de Investimento para financiar projectos da economia verde, na área da energia e água, que são capitais para o desenvolvimento de todo o continente.”

Questionado sobre como se equilibra o cuidado com a importação das novas variantes da covid-19, como a indiana, com a abertura de fronteiras aos turistas, o que levou à chegada, já nesta terça-feira de manhã de diversos voos completos ao Algarve com turistas britânicos, António Costa vincou que esse “equilíbrio se garante com o cumprimento estrito das regras”.

“Isso significa que nós reabrimos as fronteiras para a generalidade dos países, mas todas as entradas estão sujeitas à realização de teste negativo e a uma vigilância constante da aplicação das regras e à necessidade de informar os estrangeiros que nos visitam de quais as regras praticadas em Portugal. Porque as regras variam de país para país e é fundamental que todos os que desembarcam em Portugal saibam que têm que usar máscara também na via pública, que têm que manter o distanciamento físico adequado, manter a prática da higiene das mãos. E saibam as regras que estão em vigor nas praias, já que este ano as praias manterão as mesmas regras de funcionamento do ano passado, ou seja, com limitação de lotação, com distância entre toalhas salvo os grupos que cohabitam”, descreveu o primeiro-ministro.

O chefe do Governo lembrou que as multas foram até agravadas “para não haver qualquer incentivo a que se crie a ideia de que o pior já passou”. “É preciso ter em conta que hoje estamos numa situação muito melhor do que aquela que estivemos, mas só nos manteremos nesta situação muito melhor se não relaxarmos relativamente às regras e se continuarmos a cumprir essas regras”, avisou. “Como sabemos, no passado, sempre que se relaxou nas regras, a situação piorou e não podemos perder aquilo que conquistámos até agora. As fronteiras reabriram mas com regras e essas regras estão a ser cumpridas”, vincou.