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A hipocrisia mata, não apenas o hipócrita, mas sobretudo aqueles que experienciam na pele o que pode ser um doloroso processo de auto e hetero-aceitação.

“A questão da homossexualidade pode ser vista como uma janela que se abre para a vasta área do comportamento humano normal ou patológico”, escreveu, em 1988, Richard C. Friedman na fundamental obra Male Homosexuality. A etiologia do tema é procurada desde os alvores da Humanidade e este estudo revela-nos que se a componente biológica não é despicienda, há um conjunto de outras variáveis sociais, psicológicas e culturais que não podem ser esquecidas, tornando qualquer orientação sexual naquilo que ela é: um todo biopsicossocial em que nenhuma parte é cientificamente assumida como prevalente. Relembre-se que o DSM (Diagnostic and Statistical Manual) da Associação Americana de Psiquiatria – um repositório das patologias mentais reconhecidas pela comunidade científica – apenas deixou de considerar a homossexualidade como doença em 1973, após uma muito séria discussão científica, como assevera Friedman. Por seu turno, só em 1990 a OMS retirou esta orientação da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde.