Sporting cai à penúltima jornada em derby louco na Luz

Numa espectacular partida de futebol, o Benfica esteve a vencer por 3-0 e 4-1, mas deixou o rival recuperar, acabando com um triunfo pela margem mínima.

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LUSA/MIGUEL A. LOPES

Faltou apenas o público nas bancadas do Estádio da Luz para dar outra cor a uma das mais espectaculares partidas do campeonato esta temporada. Marcaram-se sete golos no derby lisboeta, com incerteza no resultado até ao apito final. Quando este se fez ouvir, o Benfica tinha feito o que mais ninguém conseguira até agora neste Liga: impor a primeira derrota ao Sporting, o novo campeão nacional, por 4-3.

É necessário recuar ao século passado para encontrar um jogo do campeonato entre os dois grandes rivais da capital com tantos ou mais golos. Foi no célebre 3-6 no Estádio José Alvalade, na temporada de 1993-94, que cumpriu esta sexta-feira precisamente 27 anos. Em ambos venceu o Benfica, mas com consequências bem distintas.

A 14 de Maio de 1994, a partida iria catapultar os “encarnados” para o título, enquanto este sábado, o Sporting já entrou na Luz com o estatuto de campeão. A pressão estava toda do lado da equipa da casa, que procurava ainda alcançar o segundo lugar do FC Porto e o acesso directo à Liga dos Campeões.

A verdade é que o Benfica parece ter guardado o melhor futebol para o fim da época. Foi isso mesmo que se viu na primeira parte do encontro: 45 minutos de luxo, com muito caudal ofensivo, qualidade de jogo, nota artística e uma eficácia desconcertante. Nos cinco remates enquadrados com a baliza adversária neste período, o conjunto de Jorge Jesus marcou três golos.

Para esta exibição, contribuiu decisivamente o talento de Pizzi. Um grande passe do português isolou Seferovic, aos 12’, com o suíço a picar a bola por cima de Adán e a inaugurar o marcador; de canto, encontrou a cabeça de Lucas Veríssimo, aos 37’, para o terceiro da sua equipa. Pelo meio, marcou ele próprio, após uma jogada magistral do ataque dos “encarnados”.

Com os três golos de vantagem, o derby parecia sentenciado. Puro engano. Nos descontos da primeira metade, o incontornável Pedro Gonçalves rematou de pé esquerdo à entrada da área, no único remate dos “leões” enquadrado com a baliza até então, deixando antever o que iria suceder após o intervalo.

Esperava-se um Sporting diferente para melhor no segundo tempo, mas antes dessa confirmação, o Benfica voltou a marcar, recolocando a diferença nos três golos. De forma displicente, Matheus Nunes derrubou Grimaldo na área “leonina” e Seferovic, chamado a cobrar a grande penalidade, apontou o 4-1, aos 49’. Em luta com Pedro Gonçalves pelo estatuto de melhor marcador da prova, o suíço também ganhava vantagem, somando 20 golos, mais um do que o atacante português, nesta altura.

Apesar dos números pesados no marcador, o Sporting insistiu em não deitar a toalha ao chão e as soluções surgiram do banco. Um dos grandes méritos do Benfica na primeira metade fora a superioridade conquistada no meio-campo, depois de Rúben Amorim surpreender ao deixar no banco Palhinha e João Mário, apostando em Matheus Nunes e Daniel Bragança. O técnico sportinguista emendou a mão para a segunda parte.

A equipa passou a controlar mais a bola, a pressionar mais alto, condicionando as saídas do adversário e, aos 52’, Pedro Gonçalves deu um primeiro aviso, com uma bola ao poste. Mas, seriam necessários mais 10 minutos, para o Sporting chegar outra vez ao golo. Pedro Gonçalves e Paulinho desenharam a jogada e Nuno Santos, de primeira, colocou o marcador em 4-2.

Os “leões” estavam melhores na partida e, aos 75’, ganharam nova motivação, quando o árbitro apontou para a marca de penalti, após Lucas Veríssimo derrubar Pedro Gonçalves na área benfiquista. O próprio Pedro Gonçalves encarregou-se de reduzir para 4-3 e, em simultâneo, apanhava novamente Seferovic no campeonato privado dos goleadores.

Não chegou foi para os “leões” manterem a invencibilidade num campeonato memorável (pelos melhores e piores motivos), em que encerraram um longo ciclo de 19 anos sem títulos.