Marcelo criticou o falhanço das autoridades na festa do Sporting?

O Presidente da República disse uma coisa e o seu contrário sobre a possibilidade de prevenção do que aconteceu com os festejos do Sporting

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Marcelo Rebelo de Sousa LUSA/HUGO DELGADO

A frase

“Quem deve prevenir não conseguiu prevenir. E quem deve prevenir são as autoridades”

O contexto

Uma massa humana encheu as ruas de Lisboa para festejar a vitória do Sporting. Tudo começou com uma manifestação às portas do estádio de Alvalade, onde se juntaram adeptos para assistirem ao jogo através de um ecrã gigante. Seguiu-se uma concentração no Marquês de Pombal que durou pela madrugada de quarta-feira adentro. A polícia interveio e houve feridos. Os festejos decorreram como se não vivêssemos ainda em estado de calamidade por causa da pandemia.

Os factos

Na manhã de quarta-feira, o Presidente faz uma violenta crítica às autoridades na sequência dos festejos. “Quem deve prevenir não conseguiu prevenir. E quem deve prevenir são as autoridades”. À tarde, recua e chega a dizer que “o fenómeno de massas é tão vasto que não há prevenção que possa impedir aquilo que aconteceu”.

Depois da crítica matinal, Marcelo acaba mesmo a garantir que o acontecido era “uma lição” para os adeptos mas também para “as autoridades desportivas e de segurança” que têm a “responsabilidade de prevenir e imaginar esquemas”. No entanto, nessa altura do dia, o Presidente afirma que os ditos “esquemas” “eram impossíveis perante aquela multidão que ninguém imaginava”.

Uma reviravolta no pensamento do Presidente? Na entrevista à RTP de quinta-feira, afirmou que “os diques foram rompidos”, mas “por muita prevenção que tivesse havido, os diques iam romper”. No entanto, afirmou ter existido “uma leveza na ponderação das soluções alternativas ao Marquês de Pombal, uma leveza excessiva na ideia de criar condições para um aglomerado muito grande de pessoas em torno do estádio e depois problemas de previsão e de organização e de funcionamento que levaram a que aquilo desembocasse no que desembocou”.

Em resumo

Marcelo conseguiu dizer uma coisa e o seu contrário na quarta-feira. Primeiro, admitiu o falhanço de “quem devia prevenir” e depois afirmou que era impossível prevenir. Mas na quinta-feira, a última vez que se pronunciou, admitiu que houve “problemas de previsão e de organização” e uma “leveza excessiva” por parte das autoridades.

Conclusão

A frase é parcialmente verdadeira.