A fábrica A Napolitana, em Alcântara, já é monumento de interesse público

Decisão publicada em Diário da República conclui processo de classificação iniciado em 2017. E assume, assim, que “a manutenção deste complexo, uma das últimas instalações industriais desta zona de Lisboa ocidental, representa a conservação de um testemunho fundamental dos processos de mecanização da alimentação em Portugal”.

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A antiga fábrica A Napolitana, na freguesia lisboeta de Alcântara, um dos últimos sobreviventes do quarteirão industrial que esta zona da capital teve no final do século XIX e durante o século XX, é monumento de interesse público. 

A classificação foi publicada em Diário da República esta sexta-feira. “É classificada como monumento de interesse público a antiga unidade industrial A Napolitana, na Rua de Maria Luísa Holstein, na Rua da Cozinha Económica e na Travessa de Teixeira Júnior, 1”, lê-se na portaria datada de 7 de Maio, assinada pela secretária de Estado Adjunta e do Património Cultural, Ângela Carvalho Ferreira.

A fábrica foi construída neste quarteirão no final da primeira década do século XX, tendo fechado nos anos 70, inserindo-se “na grande fase de afirmação da indústria moageira alimentar em Portugal, constituindo um projecto de referência na sua época”, refere o documento. Desde o seu encerramento, este complexo industrial foi sofrendo sucessivas alterações nos seus espaços interiores. 

No despacho de classificação, é explicado que a fábrica inclui o “edifício fabril principal, de três pisos, com mezaninos e pilares de ferro forjado, o edifício da moagem, com quatro pisos, e igualmente dotado de fileiras de pilares de ferro, os silos, com cinco pisos, a casa das máquinas e os armazéns, hoje desprovidos dos seus equipamentos originais”. 

Este conjunto, assinala o documento, revela a “imagem de marca" da dupla de construtores e projectistas Vieillard & Touzet”, sobretudo com a “valorização dos elementos estruturais, pelo valor plástico dos vãos de iluminação e pela articulação do tijolo branco e cinzento”, conferindo-lhe essa estética industrial. 

A classificação das antigas instalações da fábrica encerra um processo iniciado em de Novembro de 2017 (já depois de outro processo ter caducado). Esta protecção assume, assim, que “a manutenção deste complexo, uma das últimas instalações industriais desta zona de Lisboa ocidental, representa a conservação de um testemunho fundamental dos processos de mecanização da alimentação em Portugal”, sendo importante para o estudo da arquitectura industrial portuguesa de inícios do século XX.

Com esta classificação, qualquer intervenção que seja feita nos imóveis ficará sujeita às restrições previstas na lei e depende da aprovação prévia da Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC). Em Fevereiro 2019, o executivo da Câmara de Lisboa aprovou, com os votos contra do CDS e abstenção do BE, um Pedido de Informação Prévia para obras de alteração no antigo complexo industrial, que havia sido submetido pelo grupo Auchan.

O projecto previa a construção de 56 casas e estabelecimentos comerciais, assim como estacionamento. Nessa altura, o Fórum Cidadania apelou ao município que adiasse a discussão da proposta e que a mesma fosse novamente remetida aos serviços de Urbanismo, em especial ao conselho científico da Carta do Património, por considerarem que o projecto iria “destruir o que resta do interior do edifício, não estando asseguradas características relevantes para lá das fachadas, do sistema construtivo e de circulação antigos”.