Arganil e Lamego recuam no desconfinamento. Há agora 12 concelhos sob alerta

Dois meses depois do início do desconfinamento, Governo assinala que há mais concelhos a sair a lista de alerta do que a entrar. Há uma semana havia 23 concelhos sob alerta.

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Adriano Miranda

O fim das cercas sanitárias nas duas freguesias de Odemira na terça-feira e o desconfinamento de mais três concelhos (e uma freguesia) por resolução do Conselho de Ministros de ontem harmoniza a velocidade do país, que continuará, no entanto, em situação de calamidade pelo menos até 30 de Maio.

Dois meses depois de o país voltar a reabrir, o Governo assinalou “um decréscimo muito significativo” dos níveis de incidência de covid-19 no país e repetiu que está a planear com os especialistas uma nova fase de desconfinamento para o final do mês, data em que estima ter toda a população com mais de 60 anos vacinada. Um plano que, diz o executivo, incluirá um “diálogo alargado” para o qual poderão contribuir as reuniões no Infarmed, que neste momento se encontram suspensas.

Com a taxa de incidência abaixo dos 50 casos por 100 mil habitantes por 14 dias, Portugal chega a meados de Maio na zona verde do mapa de risco de transmissão de covid, mantendo-se 12 concelhos na lista de alerta, menos 11 que na semana anterior. Dos 23 que estavam constavam desta lista na semana passada, 14 saíram, mantiveram-se cinco e outros sete ingressam esta lista a partir desta semana. Contas feitas, o Governo realça o saldo positivo. “Isso é um traço da melhoria do país”, assinalou no final da reunião a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva.

Na lista de maiores preocupações estão Arganil e Lamego, que recuam no plano de desconfinamento devido aos níveis de incidência elevados. Estes dois concelhos passam a ver aplicado o conjunto de regras de 19 de Abril – restauração com seis pessoas por em esplanadas ou quatro no interior, autorização de práticas desportivas de médio risco e lotação de 25% em casamentos e baptizados, entre outras medidas.

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Há ainda dois locais que não vêem alterações nas directivas que têm de seguir. O concelho de Resende e a freguesia de São Teotónio mantêm-se na fase de 5 de Abril, que impede a abertura de estabelecimentos comerciais com mais 200 metros quadrados, proíbe a prática de desportos de médio e alto risco e permite apenas a abertura de esplanadas com mesas até quatro pessoas.

Já ​Carregal do Sal, Cabeceiras de Basto e Paredes vão passar a acompanhar o país no desconfinamento. “Foi possível numa semana recuperá-los através desta estratégia de testes e isolamento”, assinalou a ministra, elogiando o esforço feito pelas autarquias e populações locais. Além deste avanço, Mariana Vieira da Silva destacou também a freguesia de Longueira-Almograve, em Odemira, que até terça-feira estava sob cerca sanitária e que a partir de hoje passa a acompanhar as regras aplicadas em todo o país.

Apesar da evolução positiva dos números destacada pelo Governo, a preocupação em torno de um surto associado aos festejos do título do Sporting marcou a conferência de imprensa. Para Mariana Vieira da Silva, um evento não basta para “tirar conclusões” sobre as medidas que devem ou não ser tomadas, havendo vários outros factores que devem ser considerados (ainda que reconheça que várias regras não foram cumpridas). A ministra preferiu apelar a quem não cumpriu as medidas para que façam testes e estejam atentos a eventuais sintomas.

De olhos postos nas próximas fases, o Governo irá decidir até ao final do mês quais os próximos passos em relação aos sectores que ainda não reabriram, como é o caso dos bares e discotecas (mas o tom é pessimista). “Quanto mais sabemos sobre a pandemia, mais sabemos que os espaços fechados são zonas problemáticas”, repetiu a ministra.