No limiar do deserto marroquino, surfistas mostram a crianças o sabor das ondas — e da liberdade

O aquecimento antes de uma aula REUTERS/Imane Djamil
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O aquecimento antes de uma aula REUTERS/Imane Djamil

Numa pequena cidade piscatória no sul de Marrocos, entre o Oceano Atlântico e o Sara, um grupo de jovens surfistas idealistas está a ensinar as crianças a enfrentarem as ondas.

A um dia de carro das cidades do norte de Marrocos, e à margem do maior deserto do mundo, o grupo montou um café em frente à praia onde os jovens se podem reunir, aprender e divertir-se no porto adormecido de Tarfaya. “Temos um acordo por aqui. Todos os que deixam Tarfaya têm de voltar e fazer algo pela cidade, diz Salim Maatoug, um jovem de 26 anos que trabalhou como guia turístico em Marraquexe.

Mais de uma centena de crianças locais já passaram pelas aulas de surf gratuitas que dão na sua cabana de madeira, observando os instrutores a demonstrarem os movimentos antes de se lançarem ao mar para tentarem por si próprios. Os surfistas também ensinam às crianças inglês e espanhol, na esperança de abrirem os seus horizontes para além das escassas ofertas de emprego locais ou da tentação de se juntarem aos migrantes que se dirigem para a Europa em viagens de barco ilegais e perigosas, com destino às Ilhas Canárias, a 100 quilómetros de distância.

Milhares de migrantes afogaram-se no mar, e os surfistas tiveram de conquistar os pais temerosos das ondas do oceano. As famílias também não deixavam as jovens aderirem ao clube até verem a irmã de um dos surfistas ao lado dos rapazes e perceberem que era seguro. “Agora temos um grande número de raparigas a surfar, raparigas que são o futuro deste clube, acredita Maatoug, acrescentando que espera que uma delas acabe por liderar o clube. 

Tarfaya, com o seu pequeno porto, oferece poucas oportunidades de trabalho para os seus nove mil habitantes. No grupo de surfistas, Hossin Ofan é pescador, enquanto o seu irmão gémeo, Lahcen, trabalha na estação de serviço local. No deserto, além da cidade, encontra-se um parque eólico de 500 milhões de dólares, um dos maiores de África, enquanto, numa depressão nas proximidades, uma empresa americana mina sal.

Na sua cafetaria Nuevas Olas (Novas Ondas), os surfistas encontram-se e tocam música. Pediram dinheiro emprestado ao banco para comprar as pranchas e fatos de surf para o seu clube e para equipar o café. E lançaram-se às ondas.

Uma aluna agarra-se a uma prancha durante uma aula de surf gratuita em Tarfaya, Marrocos
Uma aluna agarra-se a uma prancha durante uma aula de surf gratuita em Tarfaya, Marrocos REUTERS/Imane Djamil
Uma estudante revê as suas posições de surf num vídeo durante uma aula teórica gratuita no clube de surf Nuevas Olas
Uma estudante revê as suas posições de surf num vídeo durante uma aula teórica gratuita no clube de surf Nuevas Olas REUTERS/Imane Djamil
Um carro de um guarda de Sebkha Tah, o ponto mais baixo do país
Um carro de um guarda de Sebkha Tah, o ponto mais baixo do país REUTERS/Imane Djamil
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Crianças brincam num velho forte espanhol antes de participarem numa aula de surf gratuita em Tarfaya, Marrocos
Crianças brincam num velho forte espanhol antes de participarem numa aula de surf gratuita em Tarfaya, Marrocos REUTERS/Imane Djamil
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