PSP não cancelou desfile do Sporting por temer “impactos negativos na ordem e tranquilidade públicas”

Polícia emite comunicado de 20 pontos sobre os festejos. Três pessoas foram detidas.

Confrontos entre a polícia e adeptos no fim do jogo
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Confrontos entre a polícia e adeptos no fim do jogo Nuno Ferreira Santos
Espera pelo autocarro ficou marcada por confrontos entre os adeptos e as autoridades
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Espera pelo autocarro ficou marcada por confrontos entre os adeptos e as autoridades Nuno Ferreira Santos
Polícia disparou balas de borracha contra adeptos do Sporting
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Polícia disparou balas de borracha contra adeptos do Sporting LUSA/JOSÉ SENA GOULÃO
No final do jogo confrontos entre a polícia nas ruas de Lisboa
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No final do jogo confrontos entre a polícia nas ruas de Lisboa LUSA/JOSÉ SENA GOULÃO
Polícia disparou balas de borracha para dispersar multidão
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Polícia disparou balas de borracha para dispersar multidão LUSA/JOSÉ SENA GOULÃO
PSP tinha apelado para que quem participasse na festa respeitasse a distância de segurança
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PSP tinha apelado para que quem participasse na festa respeitasse a distância de segurança Nuno Ferreira Santos
Adeptos acusaram impaciência da demora da chegada dos jogadores
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Adeptos acusaram impaciência da demora da chegada dos jogadores Nuno Ferreira Santos
Apesar das restrições houve quem conseguisse furar regras da PSP
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Apesar das restrições houve quem conseguisse furar regras da PSP Nuno Ferreira Santos
Várias garrafas foram atiradas contra a PSP
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Várias garrafas foram atiradas contra a PSP Nuno Ferreira Santos

A PSP divulgou esta quarta-feira um comunicado de 20 pontos sobre a violência nos festejos do campeonato de futebol do Sporting. Na nota, a polícia faz saber que apreendeu, em todo o país, 63 artefactos pirotécnicos, identificou 30 pessoas por motivos diversos e procedeu à detenção de três cidadãos. E diz que o desfile da comitiva leonina entre o Estádio José Alvalade e a Rotunda do Marquês de Pombal não foi cancelado depois de ponderados “os impactos negativos na ordem e tranquilidade públicas, resultantes da sua anulação”.

“A PSP planeou e executou um policiamento de grande envergadura, em diversas cidades na sua área de responsabilidade territorial”, começa por dizer o comunicado. Os festejos resultaram “em alterações relevantes da ordem pública”.

Pelas 14h30 de terça-feira, diz a PSP, “ocorreu nas imediações do Estádio José de Alvalade uma significativa concentração de adeptos do SCP”. “Pelas 21h18, no decorrer da concentração referida, verificaram-se comportamentos desordeiros e hostis por parte de alguns adeptos ali presentes, relativamente aos polícias que se encontravam de serviço, obrigando ao uso da força pública, incluindo disparos com projécteis menos letais, para fazer cessar aquelas condutas perigosas”.

Para “restabelecer a ordem e tranquilidades públicas”, “foi necessário reforçar o dispositivo policial”, com o objectivo de “conter as desordens verificadas que consistiram, nomeadamente, no arremesso, na direcção dos polícias, de diversos objectos perigosos, incluindo garrafas de vidro, pedras e artefactos pirotécnicos, que também atingiram outros cidadãos presentes no local”.

“Não obstante as desordens verificadas e o aumento da tensão associada ao desfile previsto, a PSP decidiu manter a sua realização, depois de ponderar os impactos negativos na ordem e tranquilidade públicas, resultantes da sua anulação”, diz a nota.

O desfile a que a polícia se refere foi o dos jogadores e da comitiva do Sporting em dois autocarros entre o estádio e a Rotunda do Marquês. “No acompanhamento do desfile, a PSP empregou um forte dispositivo policial motorizado e apeado, adequado face aos acontecimentos anteriormente referidos e ao elevado número de cidadãos que circulavam e permaneciam ao longo do extenso itinerário do desfile, especialmente na mencionada rotunda. Durante o desfile, até às imediações da Rotunda do Marquês de Pombal, não se verificaram incidentes de relevo.”

A situação mudou, porém, no Marquês. Foi montado um perímetro de grades metálicas, “destinado a conter o elevado número de adeptos que ali se concentrou e a assegurar a integridade das faixas de circulação rodoviária”. Porém, “alguns adeptos deliberadamente derrubaram, em vários pontos, o gradeamento”, “comprometendo o perímetro policial e colocando em perigo a integridade física dos polícias e demais presentes”.

A PSP diz ainda que se verificaram “reiterados comportamentos hostis e desordeiros por parte de alguns adeptos, relativamente aos polícias que integravam o dispositivo policial, tendo sido arremessados diversos objectos perigosos na sua direcção, incluindo garrafas de vidro, pedras e artefactos pirotécnicos, obrigando ao uso da força pública, incluindo disparos com projécteis menos letais, para fazer cessar aquelas condutas perigosas”.

Estes comportamentos “agravaram-se com a aproximação da comitiva” do Sporting ao Marquês. Já no percurso de regresso ao Estádio José de Alvalade “não se verificaram quaisquer incidentes de relevo”.

Das desordens ocorridas e do arremesso de objectos perigosos, incluindo garrafas de vidro, pedras e artefactos pirotécnicos, resultaram ferimentos ligeiros em quatro polícias e num cão. Há também a lamentar ferimentos “em diversos cidadãos, em número que de momento não é possível precisar, sendo que foram prontamente assistidos no local os feridos que foram identificados como tal”.

O comunicado não faz referência ao que, segundo o Presidente da República, terá falhado na organização dos festejos para prevenir eventuais contágios de covid-19. Mas no último ponto diz o seguinte: “A PSP apela a que todos os cidadãos comemorem todos os eventos de forma cívica, responsável e em respeito pelas normas de prevenção da propagação da pandemia por covid-19.”

O Sporting, a Câmara de Lisboa e o Ministério da Administração Interna não responderam às perguntas do PÚBLICO.