Basquiat, Picasso ou criptoarte? Leilão da Christie’s dá sinais de vitalidade do mercado mas NFT são a sensação

Depois de um ano de quebra devido à pandemia, In This Case de Basquiat foi vendida por 76,6 milhões. Mas o sucesso de 9 Cryptopunks, um pacote de NFT, está também a mostrar que além de retoma, há um movimento que não será só uma moda.

Foto

A actual semana de leilões na Christie’s de Nova Iorque é aguardada com expectativa: há uma gigantesca e valiosa tela de Pablo Picasso que vai à praça com a tarefa de sinalizar uma retoma da confiança do mercado, houve um Basquiat arrematado por 76,6 milhões de euros e 11 artistas já bateram recordes de preço. Mas foi a criptoarte a destacar-se, mostrando que é mais do que uma moda mediática de mercado. 9 Cryptopunks: 2, 532, 58, 30, 635, 602, 768, 603 and 757 foi comprado por 14 milhões de euros na noite de terça-feira.

Foi a primeira vez que um NFT (sigla inglesa para “non-fungible token” e que se pode descrever, de forma muito simplificada, como uma obra composta por elementos digitais únicos) foi à praça num leilão nocturno da Christie’s — reservado para as obras mais cobiçadas — e lado a lado com pintura ou escultura contemporâneas. Criada pela empresa de software Larva Labs fundada em 2017 por Matt Hall e John Watkinson, a obra revelou-se bastante cobiçada e foi licitada por três potenciais compradores.

A Christie’s contextualiza no seu site que estes 9 Cryptopunks “romperam limites da propriedade significativa no espaço digital e que são considerados como o início do actual movimento da criptoarte”. Foram um dos primeiros NFT registados na rede descentralizada blockchain Ethereum. Existe, como reporta o site especializado TechCrunch, um verdadeiro culto em torno dos CryptoPunks, que são retratos únicos criados digitalmente por um gerador de personagens e cuja fornada foi de cerca de 10 mil. Foram distribuídos gratuitamente em 2017, mas desde então a plataforma de NTF viu-os ser cada vez mais procurados e escalonados em termos de raridade.

Preços galopantes

O mundo despertou para a criptoarte este ano, quando várias obras começaram a atingir preços galopantes associando-se a conceitos importantes para o coleccionismo como a garantia de ser único e o combate à pirataria — um dos exemplos mais conhecido é Todos os dias: os primeiros 5000 dias, de Beeple, vendido em Março pela mesma leiloeira por 58,4 milhões de euros. O Nyan Cat, vendido por 600 mil euros, ou o primeiro tweet de Jack Dorsey na rede social que fundou, são outros exemplos aos quais se juntam a destruição de uma obra de Banksy e a cópia digital criada momentos antes de se evaporar em chamas, que foi vendida após registo na rede descentralizada blockchain pelo quádruplo do valor.

Foto
"In This Case" (1983) Jean-Michel Basquiat

Os Larva Labs tornaram-se assim um dos 11 artistas que atingiram novos recordes de vendas no leilão de obras do século XXI da Christie’s, a par de Alex Da Corte, Jordan Casteel, Jonas Wood, Nina Chanel Abney, Lynette Yiadom-Boakye, Rashid Johnson, El Anatsui, Joel Mesler, Mickalene Thomas e Martin Kippenberger.

Foto
"Femme assise près d'une fenêtre (Marie-Thérèse)" (1932) Pablo Picasso

Neste mesmo leilão, In This Case de Jean-Michel Basquiat, uma tela monumental de um conjunto de três que representam um crânio, foi arrematada 76,6 milhões — muito acima das expectativas que rondavam os 41 milhões de euros. Quinta-feira, Femme assise près d’une fenêtre (Marie-Thérèse), 30 October 1932 (1932) de Pablo Picasso sobe ao púlpito da leiloeira sob a estimativa que ultrapasse os 45,3 milhões de euros de valor de compra mas sobretudo que venha reanimar o mercado após a quebra de 25% que sofreu em 2020 devido à pandemia, segundo dados do relatório trimestral da Artnet.