Mais uma vez à espera das explicações de Eduardo Cabrita

Os adeptos do Sporting foram, na prática, convidados a concentrarem-se junto ao estádio. O álcool foi vendido e consumido na via pública, o que está proibido.

Desde as 13h desta terça-feira que se começaram a juntar adeptos do Sporting junto ao Estádio José de Alvalade. Foi vendido álcool de forma indiscriminada e consumido na via pública, o que está proibido. Foram até montados camiões com ecrãs gigantes junto ao estádio do Sporting para que os adeptos ali se deslocassem, para assistir ao jogo e apoiar a equipa. Uma das claques do Sporting até anunciou numa televisão que estavam a ser assados porcos para venda ao público.

O que significa isto? Que os adeptos estavam a ser chamados para se deslocarem a Alvalade para apoiar equipa, assistir ao jogo nas ruas e festejar o título, se fosse caso disso.

E os adeptos foram e com o passar das horas iam sendo cada vez mais. Quando a partida começou, às 20h30, eram já milhares os que por ali festejavam. Sem distanciamento de segurança anticovid, sem máscara e consumindo álcool nas ruas como se não houvesse amanhã.

A meio da tarde a PSP dava uma conferência de imprensa a pedir que os adeptos do Sporting não saíssem às ruas, que respeitassem as normas anticovid e lembrando que era proibido consumir álcool na via pública. Ainda assim anunciava que a equipa, caso fosse campeã, iria fazer uma passeata pela cidade de Lisboa.

Nesta altura, já todas as regras eram violadas em Alvalade. O que fez a PSP? Nada. Deixou a festa engrossar em Alvalade. Quando começou, os arredores do estádio do SCP estavam cercados por milhares de adeptos. Até porque, se a PSP nada fazia para o impedir, era porque era permitido. E festa é festa, especialmente para uma equipa que não ganha um título há cerca de 19 anos - é natural que a festa seja gorda.

Ao intervalo do jogo, com o Sporting a ganhar por 1-0 e em posição de campeão, a PSP resolveu acabar com a festa. Interveio, tentou expulsar os adeptos do local, recebeu como resposta pedradas e revolta e uma confusão de todo tamanho, da qual resultaram vários feridos.

Claro que os sportinguistas continuaram a festejar os títulos nas ruas sem cumprir as normas de segurança e que a PSP teve de meter, como dizem os portugueses, a viola no saco, mesmo com as regras de segurança aticovid a serem violadas.

Face a tudo isto, alguém vai ter de dar explicações para o que de anormal e grave se passou ao longo do dia. E, mais uma vez, essas explicações têm de ser dadas pelo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita.