Movimento guineense acusa Marcelo de “legitimar” a “violação de direitos humanos” na Guiné-Bissau

A organização pede aos guineenses que se manifestem contra a visita do Presidente português à Guiné-Bissau e aos deputados que abandonem a assembleia na sessão com Marcelo Rebelo de Sousa.

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Marcelo Rebelo de Sousa com Umaro Sissoco Embaló na visita do Presidente guineense a Portugal António Cotrim/Lusa

O Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados (MCCI) emitiu esta terça-feira um comunicado em que vem “denunciar e condenar com total veemência a visita do Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa” à Guiné-Bissau, agendada para os dias 18 e 19. O movimento considera que o chefe de Estado português está, com esta visita, a contribuir para o “reforço da legitimação e manutenção de um golpe de Estado”.

Para a organização, aquilo que Marcelo Rebelo de Sousa está a fazer, e que o primeiro-ministro, António Costa, também já fez, ao receberem o “autoproclamado e golpista Umaro Sissoco Embaló”, Presidente da Guiné-Bissau, em Portugal por duas vezes, é “legitimar” a “violação de direitos humanos do povo guineense”.

O MCCI pede no seu comunicado ao povo guineense, “na Guiné e na diáspora”, que se manifeste, “de diversas formas e meios”, contra a visita de Marcelo “por não se inscrever no quadro da boa relação de solidariedade entre os povos, visando tão só embelezar um regime ditatorial”.

Ao mesmo tempo, incentiva os partidos políticos guineenses com assento parlamentar e os “deputados democráticos” a boicotarem a sessão parlamentar se o Presidente português for à Assembleia Nacional Popular.

O MCCI aproveita ainda a oportunidade para “saudar e agradecer” à deputada Inês de Sousa Real, do PAN, por se ter “abstido de votar a favor da visita do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, “preferindo salvaguardar a coerência com os valores e princípios democráticos”.

Considerando que na Guiné-Bissau está “instalado” um “Estado de terror”, a organização da sociedade civil guineense acusa o Presidente português de ser o “único chefe de Estado europeu” que está “a encobrir” a situação.