João Almeida fica “a pé” no Giro. Acabou o “sonho rosa” do português

Estas fragilidades mostram que Almeida não está com a capacidade física de 2020 e que voltou a sofrer em etapas de frio extremo, como foi o caso desta terça-feira. Já Nélson Oliveira subiu a quarto na classificação geral.

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LUSA/LUCA ZENNARO

João Almeida tem estado na berlinda por a equipa Deceuninck ter dado o dito por não dito, recuando na promessa de dar ao português a liderança da equipa na Volta a Itália. Nesta terça-feira, pode ter chegado a explicação para tal.

O português passou por dificuldades nos últimos quilómetros da etapa e perdeu o contacto com o grupo dos principais favoritos, entre os quais o companheiro de equipa Remco Evenepoel, actual oitavo classificado. Foram quase cinco minutos perdidos para os rivais e, a não ser que o português surpreenda numa fuga, acabou o sonho de chegar sequer ao pódio no Giro.

Por um lado, estas fragilidades mostram que Almeida não está com a capacidade física de 2020 e, sobretudo, que voltou a sofrer em etapas de frio extremo, como foi o caso desta terça-feira (já em 2020 tinha sofrido com o frio).

Por outro lado, a etapa deixou claro que há desorganização na Deceuninck: nenhum companheiro ficou para trás para ajudar Almeida, mas também nenhum conseguiu proteger Evenepoel. Fausto Masnada chegou à meta entre ambos, em “terra de ninguém”.

Se dúvidas existissem dentro da equipa, deixaram de existir. Caso Evenepoel esteja bem, será Almeida a trabalhar para ele. Se o belga também vacilar, então o plano poderá ser não a classificação geral, mas sim ter os dois prodígios a lutarem por etapas - e têm talento para tal.

Oliveira andou em fuga

Mais à frente na corrida, a luta foi pela camisola rosa. Joe Dombrowski venceu a etapa, fazendo vingar a fuga, mas foi Alessandro de Marchi (Israel) quem conseguiu nesta terça-feira chegar à camisola rosa da corrida italiana, na quarta etapa, aproveitando que Filippo Ganna, anterior líder, abdicou totalmente da honra suprema.

Sabendo que a camisola rosa estava a prazo, pelas próprias características que tem como ciclista, “Top Ganna” ofereceu o esforço em prol da equipa INEOS, liderando a perseguição à fuga durante vários quilómetros. Foi uma imagem incomum e ficou claro que a camisola rosa mudaria de corpo – restaria saber se já para um dos favoritos ao triunfo final ou se para um dos ciclistas em fuga.

Por falar em fuga: foram quase 30 corredores os que escaparam do pelotão no início da etapa, entre os quais o português Nélson Oliveira. Chegou a parecer que iam ser apanhados, mas o pelotão, sem identificar perigo real em nenhum dos fugitivos, pelo menos a longo prazo, permitiu que o grupo de aventureiros decidisse a etapa entre si.

Oliveira chegou a estar perto de ser o líder virtual da prova, mas acabou por sucumbir nos quilómetros finais, perdendo o contacto com De Marchi. É, ainda assim, quarto classificado neste momento, a 48 segundos de De Marchi.

Mais atrás, houve, como se esperava, audácia dos ciclistas mais ofensivos. Mikel Landa atacou e ninguém quis – ou conseguiu – responder prontamente ao trepador espanhol. A resposta foi feita aos poucos e formou-se um quinteto de luxo. Landa, Egan Bernal, Aleksandr Vlasov, Hugh Carthy e Giulio Ciccone.

Evenepoel e Simon Yates chegaram pouco depois, a 20 segundos, e Almeida chegou a quase cinco minutos dos principais rivais, estando a quase seis da liderança da prova. Acabou o sonho de chegar ao pódio do Giro.

Para esta quarta-feira não há grandes dúvidas: a etapa 5 deverá dar duelo ao sprint entre os principais velocistas do Giro.