Loulé inaugura o primeiro troço do passadiço de Vilamoura ao aeroporto de Faro

A autarquia e o ICNF vão oferecer 400 mil árvores para repovoar a serra e barrocal algarvio — duas zonas ameaçadas pelo despovoamento e a desertificação.

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A ideia é chegar da marina de Vilamoura ao perímetro externo do aeroporto de Faro, de bicicleta ou a pé Rui Gaudencio/Arquivo

Os passeios à beira da ria Formosa, entre a Quinta do Lago e o vale do Garrão, ganharam um novo atractivo turístico — um passadiço em madeira, sobre as dunas, numa distância de 4,85 quilómetros. A obra, no valor de 3,7 milhões de euros (valor aproximado de um lote de terreno, na urbanização turística adjacente), contempla ainda um parque de estacionamento junto à praia do Ancão, com 427 lugares convencionais, mais 15 destinados a pessoas com mobilidade reduzida. 

A construção de passadiços não é apenas uma moda, que se estende de norte a sul. “É da maior importância que estas obras se façam para se poder fruir estes espaços - esta é uma forma de conhecer valores naturais”, salientou o ministro do Ambiente e da Acção Climática, Pedro Matos Fernandes, durante a cerimónia de inauguração da obra. Por seu turno, o presidente do Município, Vítor Aleixo, aproveitou a ocasião para afirmar o “compromisso” de prolongar o passadiço até Quarteira, totalizando 7,8 quilómetros de passadiços no concelho. “Para passear na ria Formosa, sem bulir com os valores ambientais”, enfatizou.

Na zona de Vale do Lobo, o projecto prevê um traçado do passadiço pelo interior do empreendimento, uma vez que as vivendas já estão em cima da praia. No futuro próximo, adiantou o autarca, o objectivo é permitir chegar “da marina de Vilamoura ao perímetro externo do aeroporto de Faro, de bicicleta ou a pé”, numa extensão de cerca de 14 quilómetros. 

A ocasião foi ainda aproveitada para dar o conhecer os planos que o município de Loulé está desenvolver desde há seis anos para adaptar o Plano Director Municipal (PDM) às alterações climáticas. Nesse sentido, foi destacada a criação da Área de Paisagem Protegida Local, na foz da ribeira do Almargem, com 135 hectares — situada entre Quarteira e Vale do Lobo, uma zona de forte pressão urbanística. 

Longe da orla costeira, no interior do concelho, avolumam-se os problemas relacionados com o despovoamento, num município que tem 71 mil hectares de área agro-florestal (93% da área total do concelho). A autarquia, entretanto, através de uma parceria com o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, anunciou um plano para a valorização dos serviços ecossistémicos que passa por fornecer aos agricultores 400 mil árvores (sobreiros, azinheiras, medronheiros e alfarrobeiras), para plantar nos próximos cinco anos.