A luta que Cláudia Dias leva consigo para o palco

Depois de publicados mais dois volumes desenhados por António Jorge Gonçalves o ciclo Sete Anos Sete Peças, em que a coreógrafa pede contas à História e ao mundo, estende-se no Teatro São Luiz, terminando com as apresentações de Quarta-feira e Terça-feira, a 26 e 29 de Maio.

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Bruno Simão

Em 2016, quando a coreógrafa Cláudia Dias anunciou o arranque do ciclo Sete Anos Sete Peças, na apresentação do Festival Alkantara (que se iniciaria daí por um mês), aquilo que colocava em cima da mesa era um pacto com o futuro. O início da caminhada que então se fazia dava corpo a uma ideia que começara a fermentar durante os anos da troika em Portugal, quando a palavra futuro parecia rasurada do dicionário ou tão vazia de esperança que dizê-la em voz alta parecia já uma ousadia. Foi, por isso, num desafio à precariedade e à instabilidade (do sector artístico e não só) que decidiu, num acto de resistência, reclamar um futuro ao comprometer-se com a criação de sete peças, ao ritmo de uma por ano. De acordo com uma lógica simples: cada espectáculo nasceria do encontro com outro criador, depois de se colocarem frente a frente, com um espaço em branco por preencher. Todos partiriam do zero e evoluir a partir da prática da composição em tempo real que Cláudia desenvolvera com João Fiadeiro.

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