Donald Trump lança plataforma própria para comunicar com os seguidores

O lançamento acontece um dia antes de o Facebook anunciar se vai ou não permitir que Donald Trump recupere a conta, que foi bloqueada no início do ano.

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A nova plataforma não constitui a rede social que Trump prometeu lançar Reuters/OCTAVIO JONES

O ex-Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou esta terça-feira um espaço no seu website onde pode publicar mensagens de texto. Estas notas podem depois ser partilhadas por outras pessoas no Twitter e no Facebook, plataformas que baniram as contas de Trump no início do ano.

A plataforma de Trump entrou em funcionamento um dia antes do conselho de supervisão do Facebook tomar uma decisão sobre a manutenção da suspensão da conta do ex-Presidente.

Trump foi banido depois de os seus apoiantes invadirem o Capitólio, incentivados pelo ainda Presidente. Mark Zuckerberg, dono do Facebook, disse, no início de Janeiro, que Trump estava banido por “tempo indeterminado” das plataformas da sua empresa. O Twitter disse que a suspensão podia ser permanente.

Segundo o The Washington Post, a decisão iminente do Conselho de Supervisão do Facebook, um órgão com menos de um ano que se descreve como uma “experiência” na regulamentação da liberdade de expressão online, pode ser a mais importante de todos os tempos em relação a este tema, de acordo com especialistas, e pode alterar a forma como as empresas de redes sociais vão tratar as figuras públicas no futuro.

O consultor sénior de Trump, Jason Miller, disse no Twitter que a colecção de publicações disponíveis no site não constituem a rede social que Trump prometeu lançar. “Teremos informações adicionais sobre isso num futuro muito próximo”, escreveu.

A plataforma, que foi divulgada pela primeira vez pela Fox News, é apelidada de From the Desk of Donald J. Trump (Da secretária de Donald J. Trump) e contém publicações de Trump que podem ser partilhadas. Os utilizadores podem ainda deixar “gostos”, mas não podem comentar as publicações. Uma fonte familiarizada com o assunto disse que a plataforma foi construída pela Campaign Nucleus, a empresa de serviços digitais criada pelo ex-gerente de campanha de Trump, Brad Parscale.

Num vídeo promocional, diz-se que a página é um “farol da liberdade” e um lugar para “se falar livremente e em segurança” numa altura marcada por “mentiras e silêncio”. À Fox News, fonte próxima do ex-Presidente diz que “esta é apenas uma comunicação unilateral”. “Este sistema apenas permite que Trump comunique com os seus seguidores”.

As publicações disponíveis repetem as falsas alegações de que Trump perdeu as eleições de 2020 por causa de fraude eleitoral generalizada e denigrem colegas do Partido Republicado que o criticaram, como o senador Mitt Romney e a deputada Liz Cheney.

O Twitter e o Facebook têm removido conteúdo publicado de outras contas que, segundo as plataformas, tentaram contornar as proibições impostas a Donald Trump. As empresas não responderam aos pedidos de comentário sobre como iriam contornar a partilha destas novas publicações.

O Twitter, uma das redes sociais mais utilizadas por Trump, onde tinha 88 milhões de seguidores, disse que o bloqueio será permanente, mesmo que o ex-Presidente volte a estar na corrida para a Casa Branca. Já o YouTube disse que restaurará o canal de Trump quando decidir que o risco de violência já diminuiu.

A 7 de Janeiro, o Facebook foi das primeiras redes sociais a retirar um vídeo de Trump em que este elogiava os apoiantes que invadiram o Capitólio, ao mesmo tempo que lhes pedia para voltarem para casa, repetindo as acusações de fraude e falta de integridade das eleições presidenciais de 3 de Novembro.