Uma medida grave e injusta de ressaibo “salazarento”

Ao fazer depender o acesso (socialmente sustentável) a uma residência universitária pública da profissão da mãe ou do pai, o Governo regressa ao mais iníquo dos critérios: o privilégio de “nascimento”.

1. Quando se julga que um Governo, eivado de preconceito ideológico e de tiques “clientelares”, já atingiu o cume, ele supera-se sempre e consegue surpreender-nos. Não posso conter a minha indignação e estupefacção diante do anúncio da ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública. A ministra anunciou que vai criar uma residência de estudantes do ensino superior, exclusivamente para filhos de funcionários públicos. Fê-lo com gáudio e, quando contraditada, defendeu-o com desfaçatez.