Ministro da Saúde iraquiano demite-se por causa de incêndio num hospital

O chefe do sector de saúde da região Oriental de Bagdad e vários funcionários do hospital onde deflagrou o incêndio, incluindo o director, foram demitidos.

Foto
Apesar dos esforços e das iniciativas das autoridades, muitos iraquianos não procuraram ajuda médica por falta de confiança na resposta à covid-19 AHMED JALIL/EPA

O Ministro da Saúde iraquiano demitiu-se esta terça-feira, depois de um relatório oficial ter apontado responsabilidades ao topo da hierarquia política pelo incêndio que há dez dias matou mais de 80 pessoas num hospital dedicado ao tratamento da covid-19, em Bagdad.

Hassan al-Tamimi, que chegou ao Governo devido ao apoio do polémico líder xiita Moqtada Sadr, apresentou a demissão, segundo um comunicado emitido pelo Governo, que acrescenta que o Conselho de Ministros acaba de revogar a suspensão do ministro ordenada no dia seguinte ao incêndio.

O primeiro-ministro iraquiano, Moustafa al-Kazimi – um independente que tem procurado apoio político no principal partido parlamentar – optou, inicialmente, por decretar apenas a suspensão de Tamimi, mas acabou mesmo por levantar qualquer penalização contra o ministro, bem como contra o governador de Bagdad, dois cargos de confiança política.

Também o director do hospital onde deflagrou o incêndio, Ibn al-Khatib, o seu assistente administrativo e o chefe da segurança do estabelecimento, bem como o chefe do sector de saúde da região oriental de Bagdad “foram demitidos e sofrerão várias medidas disciplinares”, adianta o comunicado.

No dia 25 de Abril, quando o Iraque acordou de uma noite de horror, durante a qual tiveram de ser retirados do hospital os corpos carbonizados dos doentes que morreram – sufocados, queimados ou por falta dos seus respiradores –, o pedido de demissão do ministro foi repetido vezes sem conta nas redes sociais.

Após o incidente, o Governo ordenou vários hospitais por todo o país a reverem e implementarem melhores procedimentos de saúde e segurança. Ainda assim, contribuiu para corroer a confiança da população no sistema de saúde.

Durante a pandemia de coronavírus, muitas pessoas não procuraram ajuda médica quando ficaram infectados com SARS-CoV-2 por falta de confiança, e decidiram não serem vacinados nos centros médicos públicos.