Já foi feita a primeira transacção de lítio num mercado de futuros em Chicago

Grupo CME arrancou esta semana com o primeiro mercado de capitais para o lítio. Segue-se a Bolsa de Londres.

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Concentrado de espodumena, a matéria-prima que depois de refinada pode ser transformada em carbonato ou hidróxido de lítio. Adriano Miranda

Já se fez a primeira transacção de um contrato de futuros no mercado de capitais para o fornecimento de lítio. Foi no passado domingo, cinco minutos depois de serem abertas as negociações na bolsa de derivados de Chicago, pela mão do grupo CME, a maior bolsa de commodities do mundo, fundada em 1848. Segue-se a bolsa de Londres, com o London Metal Exchange a anunciar para o Verão o lançamento de um contrato de futuro de lítio – o LME lithium hydroxide CIF (cost, insurance and freight).

O arranque da cotação deste tipo de contratos de compra e venda de futuros demonstra a confiança que o mercado de capitais deposita nesta matéria-prima, considerada essencial para o anunciado crescimento na mobilidade eléctrica.

Martim Facada, um corretor português que se especializou na compra e venda de matérias-primas necessárias às baterias, refere que o mercado de lítio é ainda muito pequeno, com uma produção total entre 350 e 360 mil toneladas por ano de carbonato de lítio equivalente. “Já é o dobro da produção que tínhamos em 2015”, recorda, antevendo que em 2030 se poderá dizer “que todos os consumidores de produtos químicos de lítio no mundo combinados, incluindo baterias e montadoras, precisarão confortavelmente mais de dez vezes do LCE [lítio] produzido hoje”.

A primeira transacção desta matéria-prima no mercado de futuros fixou-se num contrato de fornecimento de cinco toneladas de hidróxido de lítio (BG hydroxide) a 14,25 dólares o quilo. A existência deste tipo de contratos, e de transacções, vai trazer a visibilidade de preço e a transparência de que o mercado de lítio precisa, e que pode ser útil para empresas e governos tomarem as suas decisões em matéria de viabilidade de projectos mineiros. Não se verificaram, porém, mais transacções.

Será com o continuar da transacção deste tipo de contratos que o mercado de futuros poderá fornecer “uma curva de preços futuros”, como refere o corretor, adiantando que essa curva “ajudará a facilitar as negociações, abrir o mercado para mais investimentos e oferecer aos participantes no mercado uma ferramenta funcional para gerir sua exposição ao mercado de lítio”.

“O contrato futuro de lítio CME é um novo contrato. Portanto, é difícil prever quantas toneladas vão ser negociadas nos próximos tempos. Dito isto, estamos optimistas e a trabalhar com diferentes interlocutores em toda a cadeia de fornecimento de lítio para negociar e facilitar a liquidez necessária para que este contrato seja bem-sucedido”, respondeu Martim Facada.