Grammys cedem às críticas e acabam com “comité secreto” que definia nomeações

A exclusão de The Weeknd dos Grammys deste ano levou a muitos protestos e à exigência de transparência no processo de nomeação dos candidatos aos prémios da indústria discográfica. A Academia anuncia agora alterações para assegurar que as “regras e directrizes” dos prémios “são transparentes e justas”.

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“Os Grammys continuam corruptos. Devem-me a mim, aos meus fãs e à indústria transparência”, tweetou na altura The Weeknd DR

A controvérsia provocada pelas nomeações para os últimos Grammys, cuja cerimónia teve lugar em Março, obrigou os seus organizadores a tomar medidas. A partir do próximo ano, deixará de existir o comité secreto que escolhia os nomeados para as várias dezenas de categorias em que se dividem os prémios da indústria discográfica norte-americana. A decisão surge depois da incredulidade com que foi recebida a ausência de nomeações para The Weeknd, que, em 2020, assinara com After Hours um álbum que não só foi um dos mais vendidos do ano, como conseguiu reunir o aplauso generalizado da crítica.

A Academia Fonográfica, organizadora dos Grammys, emitiu esta sexta-feira um comunicado em que justifica a mudança com a necessidade de assegurar que as “regras e directrizes” dos prémios “são transparentes e justas”. Quando foram reveladas as nomeações para a edição de 2021 dos Grammys, o canadiano The Weeknd lançou um forte ataque aos seus organizadores na sua conta pessoal do Twitter. “Os Grammys continuam corruptos. Devem-me a mim, aos meus fãs e à indústria transparência”. A acusação ganhou eco instantâneo, com vários músicos e agentes do meio musical a questionarem os métodos de selecção da Academia. Zayn Malik, o ex-membro dos One Direction, afirmou ser importante lutar “por transparência e inclusão”: “Precisamos de assegurar que estamos a honrar e a celebrar a ‘excelência criativa’ de TODOS”.

Em causa, o processo de selecção dos nomeados para os Grammys. Os vencedores em cada categoria são escolhidos por um painel, que contabiliza mais de 11 mil votantes, formado por músicos, produtores, técnicos e outros agentes da indústria musical. Porém, a nomeação dos candidatos era até agora feita por um comité, com entre 15 a 30 membros, cuja identidade era mantida em segredo. No início de 2020, Deborah Dugan, a primeira mulher presidente da Academia Fonográfica americana, denunciara a prática mantida pelo comité secreto de beneficiar os artistas com os quais os membros tinham uma relação pessoal ou interesses profissionais — a Academia negou a acusação e demitiu-a do cargo.

Depois das críticas que vinha sofrendo nos últimos anos quanto à falta de diversidade e ao conservadorismo patente tanto nas nomeações, como nos vencedores, o que levou a alterações na organização das categorias e uma maior paridade nas escolhas, a Academia reage a novas críticas com mais alterações, pondo um fim ao comité secreto e instituindo que, a partir dos próximos Grammys, os nomeados serão seleccionados pelos mais de 11 mil votantes do painel que, até aqui, definia apenas os vencedores.