Isaltino apresenta-se como independente e dá como “difícil” o apoio do PSD

O autarca candidata-se, de novo, à presidência da Câmara de Oeiras, que “adora” exercer.

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Isaltino Morais Nuno Ferreira Santos

Ao ar livre, num descampado que será o “maior parque verde de Portugal” – Isaltino Morais anunciou nesta sexta-feira que quer continuar a fazer o que “adora”: ser presidente da Câmara de Oeiras. “Não é uma candidatura de nenhum partido, é uma candidatura de oeirenses”, afirmou, sozinho, no palanque. Sobre o eventual apoio do PSD, Isaltino Morais mostrou ter sentimentos duplos. Por um lado, assume que teria satisfação “pessoal e política”, mas por outro diz que perde votos. 

Perante uma dúzia de convidados, Isaltino Morais sublinhou o carácter independente da candidatura pelo movimento Inovar Oeiras de Volta. “Esta candidatura foi e será sempre independente. Já tive oportunidade de dizer que é transversal, que é vista de uma forma especial, de uma forma geral, pelos oeirenses”, afirmou.

Questionado sobre um apoio do PSD, o antigo ministro social-democrata apontou a quase contradição das posições do seu antigo partido. “Era um bocado difícil o PSD estar contra os independentes e apoiar a minha candidatura”, afirmou, visando directamente um deputado social-democrata por ter escrito um artigo contra o recurso da provedora de Justiça ao Tribunal Constitucional sobre as anteriores alterações às candidaturas autárquicas. “Aquele artigo do Hugo Carneiro, do PSD, é intragável. Disse ao dr. Rui Rio que estava muito mal acompanhado com conselheiros daqueles”, afirmou. O autarca acrescentou, depois, que chegou a falar com o líder do PSD sobre a sua candidatura “há uns meses” mas que desde então não teve mais contactos. 

Apontando o “sucesso” do seu trabalho nos últimos quatro anos, Isaltino Morais não quis elevar nem desvalorizar o eventual apoio do PSD. “Ter o apoio do PSD ou de outro partido é positivo. Mas do ponto de vista eleitoral, fico mais confortável sem apoio dos partidos. Porque tenho mais votos sem partidos”, argumentou. 

A sua candidatura teve o apoio das estruturas locais do PSD – aliás esteve presente o líder da concelhia Armando Soares – mas ainda não teve o aval da direcção nacional do partido. Isaltino Morais disse não ter tido qualquer indicação e o que sabe sobre as “resistências” na comissão política nacional é o que lê “pelos jornais”.

Na sua intervenção, o presidente da câmara de Oeiras falou num projecto para o concelho num horizonte temporal de mais oito anos num total de 12. Questionado sobre se pensa em recandidatar-se, caso ganhe as autárquicas deste ano, Isaltino Morais deixou a porta aberta a essa possibilidade. “Em 2025 logo se vê. Tenho 71 anos e neste momento sinto-me com 50. Tenho uma força anímica fantástica”, disse, sem esconder o seu perfil como autarca: “Há políticos que gostam da cadeira e do poder. Eu só estou na cadeira porque há muito papel, há muita burocracia, mas eu gosto é de falar com as pessoas”.

Elegendo o Oeiras Valley  - a Sillicon Valley portuguesa - como o seu grande projecto no concelho de 177 mil habitantes, o candidato a um novo mandato autárquico assumiu identificar-se com o líder do PSD - embora tenha “críticas” - e desafiou o partido “a fazer um esforço de criar nos portugueses a esperança de que vai fazer as reformas” necessárias ao país e que são uma forma de combater “os populistas que prometem tudo”.