Esquerda à espera de desmentir as sondagens nas eleições de Madrid

Com a campanha quase a terminar, candidato do PSOE garante que a diferença real entre os blocos da direita e da esquerda não ultrapassa os 50 mil votos. Os boletins contam-se na próxima terça-feira.

Foto
É muito pouco provável que Ayuso não suceda a Ayuso depois de terça-feira SERGIO PEREZ/Reuters

À partida para o último fim-de-semana de campanha, e numa altura em que já não é permitido publicar novas sondagens, os partidos da esquerda acreditam que vão continuar a diminuir a diferença de votos com o bloco da direita para poderem surpreender na ida às urnas da próxima terça-feira. Isto quando o cenário mais provável continua a ser uma vitória da candidata do Partido Popular, e actual presidente da comunidade de Madrid, Isabel Ayuso, aliada à extrema-direita para chegar à maioria absoluta.

De acordo com as estimativas feitas pelo diário El País a partir da média das sondagens disponíveis, o PP teria 59 deputados (são precisos 69 para a maioria), seguido dos socialistas (30), do Más Madrid (23), do Vox (13) e do Unidas Podemos (nove). Em último lugar, surge o Cidadãos, partido a que a análise do jornal atribui em média dois deputados mas cujo resultado provável é zero, não conseguindo chegar aos 5% de votos obrigatórios para entrar na assembleia da capital espanhola – a consegui-lo, o que só acontece em 20% dos cenários, elegeria sete.

Considerando os dois blocos, formados por PP e Vox, à direita, e por PSOE, Más Madrid e Podemos, à esquerda, a média dos inquéritos dá uma maioria de direita em sete de cada dez vezes (71%); e apenas uma probabilidade em cada 20 para o PP chegar sozinho à maioria. Já o conjunto dos três partidos de esquerda, apesar de ter diminuído a diferença em algumas das sondagens mais recentes, tem uma probabilidade de 16% (uma vez em cada seis) para alcançar os desejados 69 deputados eleitos.

Assim, e apesar de ser muito mais provável uma maioria de direita do que de esquerda, o diário alerta para isso não ser confundido com uma certeza, notando que no passado, este mesmo grau de certeza deu origem a enganos em 20 ou 30% das vezes.

E é nessa incerteza que os candidatos tentam apoiar-se para mobilizar o eleitorado na recta final, com o candidato do PSOE, Ángel Gabilondo, a afirmar que a esquerda está melhor do que aquilo que mostram as sondagens (os inquéritos não podem publicar-se mas os partidos continuam a receber dados), assegurando que “a maioria de progresso e a conservadora estão muito próximas, a uns 50 mil votos no máximo” de diferença.

Gabilondo também garante que não há qualquer hipótese de a sua lista se ver ultrapassada pela candidatura do Más Madrid. É o chamado “sorpasso”, que não é esperado mas a que alguns inquéritos abriram a porta, mostrando um PSOE a descer abaixo dos 20% e o Más Madrid a subir, aproximando-se dos socialistas.

Numa campanha com pouco debate sobre propostas e muita polémica e radicalização – exacerbada pelas ameaças de morte e cartas com balas enviadas a dirigentes de esquerda –, muitos analistas elogiam a postura construtiva da aliança criada a partir da candidatura da ex-autarca de Madrid Manuela Carmena e do fundador do Podemos, Íñigo Errejón. Mónica García, a cabeça de lista do Más Madrid, entrou na campanha como uma das candidatas menos conhecidas mas tem hoje uma das melhores taxas de aprovação.

Ao mesmo tempo, Pablo Iglesias, líder do Podemos que abandonou a vice-presidência do Governo de Espanha para ser candidato, decidiu começar a pedir o voto na sua candidatura, em vez de apelar ao apoio “às forças progressistas” contra Ayuso e a extrema-direita. A líder da comunidade, por seu turno, tem-se centrado em atacar directamente Iglesias, afirmando que este “nasceu do mal para fazer o mal” e que o seu partido “promove o ódio”, no que alguma imprensa vê como sinal de preocupação com a subida do conjunto da esquerda nas sondagens.

Também nesta sexta-feira, o PSOE apresentou uma queixa à Junta Eleitoral, tentando que Ayuso seja impedida de discursar nas celebrações do feriado de Dois de Maio, depois de a presidente ter decidido retirar a realização e transmissão das comemorações à Telemadrid, atribuindo-as a uma empresa externa para ter todo o controlo. A Junta já sancionou Ayuso por misturar campanha com actos oficiais em três ocasiões durante a campanha.