Coragem para tocar Beethoven

Uma sala pequena tem as suas vantagens: estamos ali perto dos músicos, vemos-lhes os dedos, as sombras das arcadas no chão, os olhares que trocam para entrarem juntos. Beethoven exige concentração máxima. Tudo o que é clássico se desfaz nas mãos de Beethoven — ele está sempre a puxar por alguma coisa mais — e o Ensemble Darcos traz esse mais nos gestos.

Foto
Ensemble Darcos cortesia ccb

Estão menos de trinta espectadores na Black Box do CCB, em Lisboa, para o segundo concerto do ciclo de música de câmara ali iniciado no dia 25 de Abril. As luzes de espera iluminam as quatro cadeiras vazias no palco. O espectáculo, de certa forma, já começou. Desligam-se os telemóveis, pousam-se os casacos. E o silêncio, expectante e necessário, prepara-nos para o que vem a seguir. Entraram agora os músicos de máscara preta, sinal dos tempos. E, sem pestanejar, o Ensemble Darcos lança-se a dois quartetos de Beethoven. Primeiro, o Quarteto op. 18, n.º 6, em Si bemol Maior. Estamos na Black Box, lugar habitual de teatro, de performance, de experimentação. Mais raramente de música clássica. Que bom ser tudo diferente.

Sugerir correcção
Comentar