BioNTech diz que vacinação de crianças na União Europeia pode avançar nos próximos meses

Presidente executivo da BioNTech diz que a empresa está “nas fases finais” antes de submeter o pedido de uso de emergência da vacina em adolescentes dos 12 aos 15 anos ao regulador europeu. Também esta quinta-feira, a Moderna anunciou que espera produzir três mil milhões de vacinas em 2022.

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Vacina da Pfizer-BioNTech Reuters/ERIC GAILLARD

A BioNTech espera obter, até Setembro, resultados dos ensaios clínicos da vacina (desenvolvida em colaboração com a norte-americana Pfizer) realizados com bebés de apenas seis meses, escreve esta quinta-feira a revista alemã Spiegel, citando o CEO da empresa.

“Em Julho, os primeiros resultados dos ensaios em crianças dos cinco aos 12 anos podem estar disponíveis. Em Setembro estarão disponíveis os dados sobre crianças mais jovens”, disse o presidente executivo da BioNTech, Ugur Sahin, à Spiegel, acrescentado que serão precisas quatro a seis semanas para avaliar os dados. “Se tudo correr bem, assim que os dados forem avaliados, poderemos apresentar o pedido de aprovação da vacina para todas as crianças da respectiva faixa etária nos diferentes países”, afirmou.

A BioNTech e a Pfizer fizeram, este mês, um pedido ao regulador dos EUA para aprovar o uso de emergência da vacina em adolescentes de 12 a 15 anos. Sahin diz à revista alemã que a empresa estava “nas fases finais” antes de submeter o mesmo pedido ao regulador europeu, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA).

A Pfizer anunciou, no fim de Março, que começou os segundos ensaios clínicos da vacina contra a covid-19 em crianças com mais de 6 meses e menos 11 anos, com os primeiros resultados esperados para o início de 2022. “Administrámos as primeiras doses em crianças a fim de avaliar a segurança, a forma como é tolerada e a imunogenicidade da vacina, eventuais efeitos secundários para prevenir a covid-19 em crianças entre os 6 meses e os 11 anos”, confirmou a empresa norte-americana à AFP. Imunogenicidade é a capacidade de uma substância desencadear uma resposta imunitária do organismo.

Paralelamente, já está em curso um outro ensaio clínico com 2200 crianças com idades entre os 12 e os 15 anos, com os resultados aguardados “para breve”, segundo a empresa.

A vacina da Pfizer/BioNTech é actualmente administrada em duas doses a maiores de 16 anos nos países onde já foi aprovada, como é o caso de Portugal.

Moderna quer produzir três mil milhões de vacinas em 2022

O laboratório norte-americano Moderna anunciou a intenção de investir no processo de fabricação para conseguir produzir três mil milhões de doses da vacina contra a covid-19 em 2022. A empresa, que desenvolveu uma vacina com base na tecnologia RNA como a Pfizer-BioNTech, fez uma revisão em alta das expectativas para 2021 e diz agora, em comunicado, poder fornecer entre 800 milhões e mil milhões de doses durante 2021.

O número final de inoculações dependerá de quantas serão as formulações com uma dose mais baixa, para reforços numa possível terceira dose ou imunizações de crianças. Actualmente, as injecções da Moderna utilizam 100 microgramas da substância da vacina, mas, no futuro, algumas poderão conter apenas 50 microgramas.

“Quando olhamos para o próximo ano, vemos muita necessidade de vacinas primárias, mas também de reforços. Portanto, dependendo de os pedidos serem de terceiras doses ou de doses pediátricas de 50 microgramas, podemos conseguir produzir até três mil milhões de doses”, disse o presidente da Moderna, Stephen Hoge, numa entrevista.

A Moderna destaca a intenção de investir nas instalações do grupo em Lonza, na Suíça, um dos pontos de maior produção da indústria farmacêutica. Já tinha sido aprovada, em Março, uma nova linha de enchimento de produtos acabados, em Rovi, Espanha, que vai ser sincronizada com o processo de expansão de substâncias.

“Vemos o vírus a espalhar-se rapidamente, vemos que o vírus está em mutação, estamos a constatar a existência de novas variantes (...). Temos de assumir a liderança para estarmos prontos, se necessário, para uma terceira dose”, disse o director da Moderna para a Europa, Dan Staner, em entrevista à cadeia pública suíça RTS 1.

A empresa avança também que os novos dados sugerem que as vacinas podem ser armazenadas com segurança até três meses em temperaturas normais de refrigeração, o que significa que a distribuição sairá facilitada. “Em 2022, isto pode ser um avanço que importa muito em África e nos países menos desenvolvidos”, disse Hoge.