Os desafios de viver com um organismo desequilibrado

Sempre que os sintomas de rinite (prurido, espirros, pingo ou obstrução nasal), oculares (prurido ou olho vermelho) ou asma (falta de ar, tosse, pieira) o incomodarem, deve procurar um imunoalergologista. Hoje assinala-se o Dia Mundial da Imunologia.

Foto
LUSA/VICKIE FLORES

Nas últimas décadas, as doenças alérgicas como a Asma, a Rinite, a Dermatite Atópica e as alergias a alimentos e medicamentos têm aumentado. Nos países mais desenvolvidos este aumento parece estar a estabilizar, enquanto os países em vias de desenvolvimento estão ainda a aumentar. Este aumento das doenças alérgicas (bem como das doenças auto-imunes e inflamatórias) parece estar relacionado com o nosso estilo de vida actual em que a exposição a microorganismos e a substâncias alergénicas está muito diminuída (devido às melhores condições de saneamento, ao menor contacto com os animais — os nossos avós viviam em proximidade com os animais — e ao uso adequado da vacinação e dos antibióticos).

Estas condições proporcionam um ambiente relativamente estéril para as crianças, ficando o seu sistema imunológico “desocupado” e acabando por identificar como ameaças substâncias externas que não constituintes uma ameaça. Quando esta reacção é desempenhada por uma parte específica do sistema imunológico desencadeia a alergia. No entanto, é muito importante referir que este aumento das doenças alérgicas foi acompanhado pela diminuição da mortalidade infantil, bem como pelo aumento da esperança e da qualidade de vida nos países desenvolvidos.

As doenças alérgicas constituem algumas das doenças crónicas mais frequentes, sendo a asma, a rinite e a dermatite atópica as doenças crónicas mais frequentes na infância, adolescência e adultos jovens. Também é importante referir que, embora algumas doenças alérgicas da infância (como alguns casos de alergia alimentar, a rinite e mesmo a asma) poderem desaparecer com a idade, as doenças alérgicas tipicamente mantêm-se durante toda a vida, tendo assim um impacto duradouro na vida dos doentes.

Em Portugal, as alergias respiratórias mais frequentes são provocadas pelos ácaros. No entanto, a alergia aos pólenes, apesar de afectar os doentes durante um período temporal menor em relação aos ácaros, tende a produzir sintomas mais intensos. Assim, os doentes podem apresentar agravamento da rinite e da conjuntivite, bem como da sua asma.

Embora existam algumas medidas simples que se podem adoptar para tentar diminuir a exposição aos pólenes (como conduzir com as janelas fechadas, praticar exercício ao ar livre mais ao final do dia, ter as janelas fechadas, usar óculos de sol ao ar livre para evitar o contacto dos pólenes com os olhos), a maioria dos doentes não consegue evitar o contacto com os pólenes de modo evitar o aparecimento dos sintomas. Para ajudar a controlar os sintomas existem medicamentos muito eficazes (muitos dos quais utilizados apenas de forma local — a nível nasal ou ocular) que o seu médico poderá prescrever após avaliar a sua situação clínica. No entanto, estes tratamentos apenas controlam a alergia e não visam a cura, pelo que o doente necessitará de tratamento todos os anos. Para tentar curar a situação ou pelo menos obter uma melhoria sintomática a longo prazo, estão disponíveis tratamentos individualizados que podem ser administrados por via injectável ou sublingual e que visam dessensibilizar o doente aos pólenes e que são conhecidas como vacinas antialérgicas.

Sempre que os sintomas de rinite (prurido, espirros, pingo ou obstrução nasal), oculares (prurido ou olho vermelho) ou asma (falta de ar, tosse, pieira) o incomodarem, deve procurar um imunoalergologista. É importante que o doente saiba que existe tratamento para estes sintomas.

O acompanhamento médico regular além de permitir controlar os sintomas, permite sobretudo preveni-los. Os doentes com acompanhamento regular podem antecipar os períodos de agravamento e iniciar tratamento preventivo, permitindo assim que não chegue a ter sintomas. Os tratamentos preventivos são geralmente mais baratos e com menos efeitos laterais do que os tratamentos sintomáticos. Além disso, as doenças quando não são controladas podem acarretar complicações potencialmente graves (como complicações oculares, sinusites ou meningites no caso das rinite ou exacerbações de asma) que podem levar a situações de urgência ou necessidade de internamento. Por isso, não adie a procura do seu médico.