Festival Burning Man cancelado, mas muitos outros festivais ainda estão calendarizados

Histórico evento de artes e música da contracultura passa datas para 2022 devido à incerteza da pandemia.

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Jim Urquhart/Reuters

Pelo segundo ano consecutivo, o festival norte-americano Burning Man foi cancelado devido à incerteza que a pandemia provoca no sector dos eventos ao vivo de multidões. Adiado para 2022, o evento que decorre anualmente há 35 anos entre São Francisco e o deserto do Nevada como celebração da contracultura e da arte efémera — bem como de algum psicadelismo — estava agendado para a semana entre 26 de Agosto e 3 de Setembro mas as “incertezas” abundam e o tempo disponível para organizar o festival escasseiam.

“Sabemos que a necessidade de [estar em] comunidade nunca foi tão forte. E construir uma comunidade é o que nós os ‘Burners’ fazemos melhor. Também reconhecemos que a pandemia ainda não acabou”, diz a CEO do Burning Man, Marian Goodell em comunicado. “Embora aqui nos EUA talvez estejamos a sentir o peso a dissipar-se e a luz ao fundo do túnel a brilhar mais, ainda estamos na pandemia e as incertezas que têm de ser resolvidas são impossíveis de resolver no tempo que temos.”

Apesar de não se realizar nos moldes em que tradicionalmente recebe pessoas de todo o mundo para dançar dia e noite em torno de verdadeiras instalações totémicas e que viajam em veículos muito Mad Max, a organização insiste que não se trata de um verdadeiro cancelamento porque farão pequenos eventos locais e online.

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Tal como todos os grandes eventos públicos do mundo, sobretudo dos países mais afectados pela pandemia ainda nesta Primavera e com campanhas de vacinação em curso, o Burning Man chegou a ponderar avançar e, por exemplo, exigir certificados de vacinação. O tempo e a incerteza quanto à própria lotação e disponibilidade financeira dos seus frequentadores escassearam. O Burning Man segue assim na peugada de outros grandes festivais como Coachella, Stagecoach (EUA) ou Glastonbury (Reino Unido), que já cancelaram as suas edições de 2021, ou dos portugueses Nos Primavera Sound (e o seu congénere espanhol), VOA Heavy Rock, Boom Festival, EDP Cool Jazz ou da edição nacional do Rock In Rio.

Mas outros festivais, dos norte-americanos Bonnaroo, Summerfest ou aos britânicos Reading & Leeds, Parklife ou Isle of Wight, passando pelos portugueses Nos Alive, Sumol Summer Fest, Meo Sudoeste e Vodafone Paredes de Coura continuam agendados. As datas de realização destes festivais, bem como o estado das campanhas de vacinação e as regras públicas sanitárias, separam os diferentes eventos e países. A disponibilidade dos artistas internacionais para digressão é outra das incógnitas. A edição deste ano do Festival de Reading já esgotou.