Chegou a quarta temporada de The Handmaid’s Tale, em fuga e rumo à liberdade

A nova temporada da série, a primeira exibida na era pós-Trump, começa a meio de uma crise na teocracia autoritária de Gilead e retoma o ritmo frenético em busca de uma luz ao fundo do túnel. Este artigo tem spoilers da terceira temporada, mas não da quarta, que se estreia esta quinta-feira.

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À quarta temporada da série The Handmaid’s Tale, a liberdade parece mais próxima. No episódio antecedente – exibido ainda em 2019 –, a última cena mostra a protagonista June a ficar para trás, ferida. É com ela e nesse preciso instante que arranca a trama em que se assume como líder das forças rebeldes: em fuga constante, numa tortura sem fim à vista. A personagem interpretada por Elisabeth Moss ajudou 86 crianças – um dos bens mais preciosos de uma sociedade infértil – a fugir de avião para o Canadá. Foi um prenúncio de guerra.

É essa luta silenciosa que dá um passo mais frenético à narrativa da série. A sensação de fuga é acentuada e faz com que deixe de existir um local claro em que se desenrola a cena – como acontecia antes com a casa dos Waterford, por exemplo. Ainda que haja algumas cenas e falas previsíveis nos três primeiros episódios a que o PÚBLICO assistiu, e apesar do padrão repetitivo da série – as tentativas de fuga, o sofrimento da clausura, a esperança de se conseguir escapar –, a história retoma o seu fôlego e, no trailer da nova temporada, parece haver um vislumbre da chegada da protagonista à civilização.

A quarta temporada da série estreia-se com três episódios esta quinta-feira, dia 29, apenas na plataforma Nos Play, um dia após o seu lançamento nos Estados Unidos. Os restantes episódios serão lançados a cada semana e as temporadas anteriores estão também disponíveis no serviço de streaming da operadora. Esta quarta temporada tem dez episódios e três deles são realizados pela protagonista Elisabeth Moss. “Um sonho tornado realidade”, escreveu a artista no Instagram. A quinta temporada de Handmaid’s Tale está confirmado desde Dezembro.

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The Handmaid’s Tale chegou a ser criticada pela forma como expõe a violência no ecrã. Nesta temporada, o tema da violação continua presente e passa a ser debatido abertamente; mostra que não há mulher que não sofra em Gilead. É um mundo de paternalismo, condescendência, violência e abusos, um mundo em que as mulheres não têm direitos nem uma palavra a dizer sobre o seu próprio corpo. Face à possibilidade de fuga que surge nesta nova temporada, a escolha de muitas destas mulheres recai não só sobre si mesmas, mas também sobre as crianças – as suas, ainda que criadas por outros – que ficariam indefesas num lugar sem direitos.

A série recebeu 15 Emmys e dois Globos de Ouro desde a sua estreia – foi, aliás, a primeira série de um serviço de streaming a receber o importante Emmy de Melhor Série Dramática, em 2017.

Handmaid’s Tale na era pós-Trump

Desde a segunda temporada que a narrativa vai já longe da que fora traçada no livro homónimo que lhe serviu de inspiração (da canadiana Margaret Atwood, em 1985). Foca-se num cenário de extremismo, mas a sobreposição a certos temas que marcaram a actualidade nos Estados Unidos torna-se evidente: separação de famílias, crimes sexuais, tiroteios. Para Elisabeth Moss, citada pela Variety, a série acaba por ser uma reflexão sobre a natureza humana. A própria escritora Margaret Atwood revelou que tudo o que acontece no livro já aconteceu em algum momento na História.

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Esta temporada de Handmaid’s Tale é a primeira que se estreia nuns Estados Unidos não governados por Donald Trump – a primeira temporada data de Abril de 2017, poucos meses depois de o antigo Presidente norte-americano ter assumido funções. Algo que não fica de fora do tom da obra: “Agora estou mais focado na forma como esta série se relaciona com a era pós-Trump”, afirmou já em 2021 o showrunner Bruce Miller. “Muito do que se passa nesta temporada é sobre esperar para que as coisas regressem ao normal”, explicava à Variety. “Estamos a abordar o que surge na era pós-Trump, mas acho que isso só acontece porque os argumentistas e todas as pessoas do elenco estão a viver nesse mundo.” A trama de Handmaid’s Tale decorre naquilo que antes eram os Estados Unidos e passou a ser a nação distópica de Gilead – com o Canadá a servir de variável de controlo, uma nação ainda livre e que tenta resgatar quem consegue das garras da ditadura vizinha.

O showrunner referiu também que esta temporada abordará questões ambientais e de sustentabilidade – já que é esse o motivo de muita da infertilidade relatada na série e que serve de desculpa para os comportamentos misóginos dos líderes do regime de Gilead. Apesar de todas ligações à realidade, a ideia central da trama continua a ser só uma, admite Bruce Miller: entreter.